O resultado final das eleições parlamentares de Israel deixou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sem a maioria necessária para formar um novo governo. Sua coalizão conquistou 53 cadeiras no Knesset, oito abaixo das 61 exigidas, e terá de buscar novos apoios para permanecer no poder.
A oposição liderada por Gadi Eisenkot também saiu das urnas sem condições de governar sozinha. Com 48 assentos, o bloco ficou cinco cadeiras atrás dos aliados de Netanyahu, mas depende de uma articulação ainda maior para alcançar a maioria.
A distribuição divulgada pela Comissão Eleitoral Central abriu uma disputa por alianças sem uma solução evidente para nenhum dos lados. Segundo o jornal The New York Times, a perspectiva de negociações prolongadas pode levar o país a “semanas de incerteza”.
Coalizão governista encolhe
O Likud, partido de Netanyahu, permaneceu como a maior força do Parlamento, com 27 cadeiras. O resultado, porém, não foi suficiente para preservar a maioria de sua coalizão, que antes da eleição reunia 63 parlamentares.
Além do Likud, o bloco governista é formado pelo Otzma Yehudit e pelo United Torah Judaism, com sete assentos cada, e pelo Shas e pela aliança Religious Zionist Party-Zehut, ambos com seis.
Do outro lado, o Yashar, de Eisenkot, conquistou 21 cadeiras e se consolidou como o principal partido da oposição. Seus aliados são o B’Yachad, com 12 representantes, Os Democratas, com oito, e o Yisrael Beiteinu, com sete.
Com os dois blocos abaixo da maioria, a definição do próximo governo dependerá da capacidade de atrair partidos que estão fora dessas alianças ou de reorganizar os agrupamentos atuais.
Partidos árabes ganham peso
A Lista Conjunta e o Ra’am conquistaram, respectivamente, 11 e oito cadeiras. Juntos, os partidos árabes somam 19 representantes, quase o dobro da participação anterior no Parlamento.
O crescimento amplia sua influência nas negociações. Numericamente, esses assentos seriam suficientes para levar qualquer um dos dois blocos à maioria. As resistências políticas, contudo, dificultam essa aproximação.
Segundo a análise da colunista Sandra Cohen, do portal g1, nem a coalizão de Netanyahu nem a oposição deseja incluir os partidos árabes em sua composição. Ainda assim, o desempenho eleitoral dessas legendas lhes dá maior poder de barganha para defender seus interesses.
O cenário combina, portanto, a necessidade de novos apoios com obstáculos à formação das alianças capazes de viabilizar um governo.
Votação teve participação recorde
Realizadas na terça-feira (27), as eleições foram marcadas por participação recorde dos eleitores e por acusações de fraude feitas por Netanyahu, sem apresentação de provas até o momento.
O pleito representou uma espécie de julgamento popular do primeiro-ministro, segundo a análise de Sandra Cohen. O resultado manteve o Likud na liderança entre os partidos, mas retirou da coalizão governista o controle da maioria parlamentar.
Agora, tanto Netanyahu quanto Eisenkot terão de transformar seus resultados eleitorais em acordos políticos para superar a fragmentação do Knesset.







Deixe um comentário