Os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) encerraram os trabalhos legislativos nesta quinta-feira (18) em um clima mais do que bélico, marcado por ameaças abertas, acusações e impasse político.
A expectativa era aprovar, antes do recesso parlamentar, um pacote de 612 projetos de resolução com homenagens, como medalhas, títulos, diplomas e prêmios. Sem consenso sobre o formato da votação, porém, o presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), retirou as matérias da ordem do dia e encerrou a sessão.
A intenção da Mesa Diretora era zerar a pauta de honrarias ainda em 2025. No colégio de líderes realizado na terça-feira (16), havia ficado definido que seriam evitados nomes considerados polêmicos, justamente para impedir embates na última sessão do ano. Na prática, no entanto, o acordo não se sustentou quando as matérias começaram a ser discutidas em plenário.
Impasse sobre o formato da votação
Com o avançar da hora e deputados em plenário desde as 11h, Delaroli sugeriu que os projetos fossem votados em bloco, como forma de acelerar os trabalhos. A proposta encontrou resistência imediata.
O líder do PL, Fillippe Poubel, alegou que o Psol não teria cumprido o acordo firmado no colégio de líderes e anunciou que iria destacar e pedir verificação de quórum de todos os projetos apresentados pela legenda.
Delaroli pediu bom senso diante do volume expressivo de matérias, mas Poubel se manteve irredutível. Segundo ele, o Psol teria solicitado, por exemplo, a retirada de homenagens destinadas ao deputado Alan Lopes (PL) e ao vereador Rogério Amorim, irmão do líder do governo, Rodrigo Amorim (União Brasil). Nomes que a princípio não gerariam embates.
Troca de acusações e tom de ameaça
Rodrigo Amorim reagiu lembrando que o acordo previa a retirada apenas de nomes envolvidos em polêmicas públicas ou ações judiciais, citando os deputados federais Glauber Braga e Alexandre Ramagem.
“Só que o Psol apresentou uma lista de pessoas que não estavam envolvidos em nenhum embate”, argumentou. Em seguida, afirmou que, a partir daquele momento, a legenda seria derrotada em todas as homenagens.
Alan Lopes também criticou o Psol e adotou um tom de ameaça ao dizer que tentará barrar qualquer projeto de resolução apresentado pelo partido. Segundo ele, outras siglas também seriam prejudicadas. “PT, PSB, PCdoB serão prejudicados por conta do Psol”, frisou.
Do lado da oposição, Professor Josemar (Psol) rebateu afirmando que parlamentares ligados ao bolsonarismo também vetaram nomes como o da cantora Anitta e da vereadora Tainá de Paula, que, segundo ele, não estavam envolvidos em polêmicas.
Josemar disse ainda que havia ficado acertada a realização de uma reunião pela manhã para fechar um consenso, o que não ocorreu. “Não podemos ter um tom de ameaça, como nos regimes autoritários. É bom construir o consenso”, afirmou.
Flávio Serafini (Psol) também reagiu, dizendo que a “tropa de choque” teria decidido “atropelar” o regimento. Ele avisou que a oposição também pediria verificação de quórum. “Depois só não pode reclamar que temos que votar em bloco projetos de interesse do governo”, advertiu.
Sessão encerrada sem votação
O deputado Luiz Paulo (PSD) lembrou que o principal ponto do colégio de líderes era não homenagear pessoas que estivessem enfrentando ações na Justiça, mas avaliou que, após a reunião, a situação se transformou em uma polêmica difícil de contornar.
Já Átila Nunes (PSD) criticou o número elevado de homenagens e levantou a possibilidade de uso eleitoral dos projetos. Segundo ele, a prática poderia até configurar campanha antecipada.
“Está errado isso aí. Pode caracterizar isso como compra de votos. Isso pode ser campanha eleitoral antecipada? Pode ser um exagero. Mas presidente, o senhor vai acabar entrando no Rivotril”, disse, em tom de brincadeira, dirigindo-se a Delaroli.
Diante do agravamento do conflito, o presidente em exercício lamentou o esforço dos servidores da Casa, que passaram a madrugada elaborando os projetos de resolução, mas afirmou que, diante do cenário de confronto, a única saída seria retirar as propostas da pauta.
Em seguida, encerrou a sessão, deixando para depois do recesso a definição sobre o destino das homenagens e encerrando o ano legislativo sob forte tensão política.






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