Cleitinho diz ter recebido ‘mensagem de Deus’ para ser candidato, mas direção do Republicanos barra

Senador insistiu para disputar governo de MG, mas direção nacional da legenda alegou que prazo para definição já havia sido encerrado

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O senador Cleitinho (Republicanos-MG) protagonizou um dos momentos mais marcantes da convenção nacional do Republicanos, realizada nesta terça-feira (4), em Brasília, ao fazer um apelo público para ser lançado candidato ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Apesar do discurso emocionado, a direção nacional do partido rejeitou o pedido e manteve a posição já adotada anteriormente pela legenda.

Durante sua manifestação, o parlamentar afirmou que não decepcionaria o Republicanos caso recebesse a indicação e disse ter recebido uma orientação divina para entrar na disputa pelo comando do estado.

O presidente nacional do partido, deputado Marcos Pereira, respondeu imediatamente após a fala do senador, declarando encerrada a fase deliberativa da convenção e argumentando que Cleitinho havia tido oportunidades anteriores para formalizar sua pretensão eleitoral, mas não o fez dentro do prazo estabelecido.

A decisão amplia a crise entre o senador e a cúpula nacional da legenda, iniciada nos últimos dias em torno da definição da candidatura ao governo mineiro.

Discurso emocionado marcou a convenção

Ao pedir que o partido reconsiderasse sua posição, Cleitinho fez um pronunciamento dirigido às principais lideranças da legenda e afirmou que estava preparado para representar o Republicanos na disputa pelo Governo de Minas.

Segundo o senador, sua decisão de buscar a candidatura foi motivada por uma convicção religiosa.

“Pelo meu pai, pelo meu irmão, pela minha mãe, pelo professor, pela Polícia Militar, por todos os trabalhadores do Brasil, de Minas Gerais, por todos os caminhoneiros, por toda a enfermagem que existe, por todo o povo mineiro, eu quero ser candidato a governador e eu peço humildemente ao presidente me dê essa vaga”, exclamou Cleitinho.

Na sequência, o parlamentar afirmou que seria leal ao partido e que trabalharia para fortalecer a legenda em Minas Gerais.

“Eu não vou decepcionar o partido. Eu não vou decepcionar o senhor presidente. Eu vou aumentar essa bancada mineira dentro do partido. Quem que nunca foi e voltou? Quem que nunca teve equívoco? Quem que nunca errou que levante a mão, por favor?”

Segundo Cleitinho, Deus teria falado com ele por meio do Espírito Santo para que colocasse seu nome à disposição da legenda.

Marcos Pereira rejeita pedido

Após o pronunciamento, Marcos Pereira informou que não seria possível deliberar sobre a candidatura durante a convenção nacional.

“Concluída a apreciação da ordem do dia, eu declaro encerrada a fase deliberativa desta convenção”, afirmou o presidente do Republicanos.

Na sequência, explicou que o encontro não tinha competência para discutir candidaturas estaduais.

“Essa convenção não é para deliberar sobre decisões do estado de Minas nem de nenhum outro estado da Federação”, emendou.

Pereira também ressaltou o respeito que mantém pelo senador e recordou o momento pessoal vivido por Cleitinho após a morte recente de seu irmão.

“O senador Cleitinho passou por um momento muito difícil, que eu me solidarizo, já o fiz e faço novamente aqui agora em público, que foi a perda, há poucos dias, do seu irmão”, argumentou.

Em seguida, afirmou que o parlamentar teve oportunidades para oficializar sua candidatura durante a convenção estadual realizada em julho.

“Foi dada a oportunidade ao senador Cleitinho de comparecer à convenção no dia 25 de julho e se declarar candidato a governador do bravo estado de Minas. Em não sendo possível o comparecimento, que ele então se fizesse representar por procuração, o que é legalmente permitido. O senador Cleitinho não aceitou nem comparecer e nem enviar a carta com a procuração dizendo que era candidato”, completou.

Ao responder à justificativa religiosa apresentada pelo senador, Marcos Pereira acrescentou que, até aquele momento, não havia recebido a mesma orientação.

Crise interna se agravou nos últimos dias

O episódio ocorre poucos dias após um embate público entre Cleitinho e a direção nacional do Republicanos.

Em 29 de julho, o presidente nacional da legenda informou que o senador não seria candidato ao Governo de Minas Gerais. Segundo o partido, a ausência de Cleitinho na convenção estadual inviabilizou a formalização de sua candidatura.

Na ocasião, o Republicanos afirmou que trabalhou para viabilizar o projeto eleitoral do senador, mas alegou que faltou uma manifestação definitiva de sua parte.

Em nota, a legenda declarou que a ausência do parlamentar na convenção estadual de 25 de julho produziu “consequências inevitáveis”, impossibilitando o avanço da candidatura.

A posição foi contestada pelo próprio Cleitinho.

No mesmo dia, sua assessoria informou que ele continuava disposto a disputar o Governo de Minas Gerais. Posteriormente, durante uma entrevista coletiva em Divinópolis, o senador reafirmou publicamente sua intenção de concorrer ao cargo.

O episódio evidenciou o distanciamento entre Cleitinho e a direção nacional do Republicanos, especialmente após o partido anunciar apoio ao ex-secretário Marcelo Aro (PP) na disputa pelo Palácio Tiradentes.

Com a negativa formalizada durante a convenção nacional, o impasse entre o senador e a cúpula da legenda ganha um novo capítulo e mantém indefinido o futuro político de Cleitinho para as eleições de 2026.

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