Clébio Jacaré declara R$ 11,9 milhões em dinheiro vivo à Justiça Eleitoral

Candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, empresário registra patrimônio de R$ 57 milhões e amplia em 158% o valor declarado em espécie desde 2024

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O empresário Clébio Jacaré, candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro pelo União Brasil, declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 11,9 milhões em dinheiro vivo nas eleições de 2026. O valor representa uma parcela significativa do patrimônio total informado, que chega a R$ 57 milhões.

Na declaração apresentada em 2024, quando disputou a Prefeitura de Nova Iguaçu, Jacaré havia informado ter R$ 4,2 milhões em espécie. Considerando a correção pela inflação, a quantia declarada agora representa um crescimento de 158% em dois anos.

Além do dinheiro em espécie, o patrimônio inclui cerca de R$ 20 milhões em quotas, participações em empresas e imóveis. O empresário também havia declarado, em 2024, possuir aproximadamente R$ 98 mil em moeda estrangeira. Na declaração deste ano, o valor aparece vinculado a uma conta bancária no exterior.

Evolução dos bens nas últimas eleições

A evolução patrimonial também aparece na comparação com a eleição de 2022. Naquele ano, quando conseguiu uma vaga de suplente de deputado federal, Clébio Jacaré declarou possuir R$ 15,9 milhões em bens, valor equivalente a aproximadamente R$ 18,8 milhões atualmente.

Na mesma eleição, o empresário informou ter R$ 5,15 milhões em dinheiro vivo. O montante declarado em espécie em 2026, portanto, supera em mais de duas vezes o valor informado quatro anos antes.

A nova declaração de bens coloca Clébio Jacaré entre os candidatos com patrimônio mais elevado na disputa deste ano no Rio de Janeiro. Os dados são registrados pelos próprios candidatos no sistema da Justiça Eleitoral e ficam disponíveis para consulta pública.

Candidatura foi indeferida em 2024

Na eleição municipal de 2024, Clébio Jacaré teve a candidatura à Prefeitura de Nova Iguaçu indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. A decisão ocorreu em meio a questões relacionadas à Operação Apanthropia, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

Segundo as investigações citadas no processo, Jacaré foi apontado como suposto mentor e líder de uma organização criminosa que teria atuado na Prefeitura de Itatiaia. Ele chegou a ser preso em 2022 no âmbito do caso, mas posteriormente foi solto.

Na época, o GAECO sustentou que o grupo supostamente comandado pelo empresário atuaria por meio de acordos envolvendo administrações municipais e pagamento de propina a prefeitos e vereadores.

Investigações apontaram atuação em Itatiaia

De acordo com as apurações, Clébio Jacaré teria exercido influência sobre a administração de Itatiaia entre janeiro e junho de 2021, período em que Imberê Moreira Alves ocupava a prefeitura.

As investigações apontaram que Fábio Alves Ramos, considerado homem de confiança de Jacaré, teria assumido a chefia de gabinete do prefeito. Ainda segundo os investigadores, integrantes do grupo teriam participado da escolha de nomes para ocupar secretarias municipais.

O empresário também apareceu em investigações relacionadas à Operação Favorito, deflagrada em 2020 e que teve entre seus desdobramentos a queda do então governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel.

Naquele caso, o nome de Jacaré foi relacionado a empresários investigados por contratos envolvendo a venda de máscaras ao governo estadual durante a pandemia. Um dos empresários presos teria contratado uma empresa ligada ao grupo de Clébio Jacaré para executar parte dos serviços.

As acusações e apontamentos mencionados nas investigações são anteriores à atual candidatura e não significam, por si só, condenação criminal. A declaração de patrimônio apresentada em 2026 corresponde às informações fornecidas pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral.

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