Cisp de Niterói: como funciona o sistema que rastreou suspeitos de matar policial

Modelo pioneiro no país mostrou eficácia com a prisão dos responsáveis pela morte do policial civil Carlos José Queiroz Viana

O assassinato do inspetor Carlos José Queiroz Viana, de 59 anos, em Piratininga, na última segunda-feira (6), expôs em tempo real o funcionamento do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Niterói, na Região Metropolitana. O sistema de vigilância urbana foi decisivo para rastrear os carros usados no crime e orientar a ação das forças de segurança que prenderam os suspeitos três horas depois.

O Cisp opera 24 horas por dia, com mais de 600 câmeras espalhadas pela cidade e tecnologia de reconhecimento automático de placas, segundo a Prefeitura de Niterói. O sistema também funciona em conjunto com equipes da Guarda Municipal e um setor de inteligência integrada.

Como funciona o reconhecimento dos veículos?

Todas as imagens captadas pelas câmeras distribuídas pela cidade passam por filtros automáticos que identificam veículos com algum tipo de pendência criminal, como alertas de roubo, furto, clonagem ou envolvimento em crimes.

Assim que uma irregularidade é detectada, o sistema emite um alerta automático e o caso é repassado, em tempo real, para as forças de segurança mais próximas, incluindo Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal, com as quais o Cisp mantém convênios e canais diretos de comunicação.

O policial Carlos José Queiroz Viana, morto em Niterói | Foto: Reprodução

“Tão logo os agentes da Guarda Municipal que atuam no Cisp souberam do crime iniciaram a coleta de informações. Assim, em contato com os policiais que atendiam a ocorrência, souberam que o veículo utilizado pelos criminosos foi um Ônix branco”, explica o secretário de Ordem Pública, coronel Gilson Chagas.

Ainda segundo ele, outras informações sobre o veículo eram desconhecidas. “Nosso sistema de inteligência artificial fez o rastreamento com os dados disponíveis e identificou o veículo e a rota de fuga utilizada. Foi um trabalho de tecnologia e integração que permitiu um resultado rápido”, detalhou o secretário.

O modelo é considerado pioneiro no país e registra, em média, 35 milhões de passagens de veículos por mês, o que totaliza em 1.400 passagens por minuto nos horários de pico, conforme dados da gestão municipal. 

Alerta e prisão 

Foi esse fluxo que permitiu a identificação rápida do Ônix branco usado na execução do inspetor. O sistema de cercamento eletrônico identificou o carro usado logo após o crime e, em minutos, teve seu trajeto mapeado. As imagens mostraram o veículo cruzando a Ponte Rio–Niterói em direção à Baixada Fluminense.

Com base nessas informações, equipes das polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal montaram uma operação conjunta que terminou em Xerém, distrito de Duque de Caxias, com a prisão de Mayck Junior Pfister Pedro e dos PMs Felipe Ramos Noronha (15º BPM) e Fábio de Oliveira Ramos (3º BPM). Os três tiveram as prisões convertidas em preventivas pela Justiça nesta terça-feira (7).

No carro em que estavam, um Jeep Compass preto, os agentes encontraram três armas e celulares. Duas das pistolas tinham calibres compatíveis com os projéteis retirados do corpo da vítima. Agora, a Polícia Civil apura se o crime tem ligação com a máfia dos cigarros, a contravenção ou investigações conduzidas pelo inspetor.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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