Cidade das Cachoeiras é o segredo mais explícito do ecoturismo fluminense

Local oferece dezenas de vales verdes, trilhas, montanhas e ar puro em abundância

Quem diria que um município com um nome tão direto entregaria exatamente o que promete e ainda com bônus? E em tempos de overbooking nas rotas famosas das tradicionais vitrines turísticas serranas, Cachoeiras de Macacu oferece dezenas de vales verdes, trilhas, montanhas e ar puro em abundância. E entrega tudo isso sem frescura, com a humildade típica de quem não precisa aparecer em posts post de Instagram para provar que vale a visita.

Escondida entre as serras e ofuscada pela badalação de vizinhas como Teresópolis ou Petrópolis, Cachoeiras de Macacu se transformou em uma joia para quem prefere aventura sem tumulto, natureza sem filas e hospitalidade sem roteiro pré-fabricado.

É o tipo de lugar que você chega achando que vai descansar e acaba, sem querer, se reconectando com a própria existência depois de um banho gelado no Poço das Bruxas ou uma caminhada pela Trilha do Faraó. Tudo isso a poucos quilômetros do caos urbano — e com preços que parecem resistir heroicamente à inflação turística. Afinal, essa cidade discretamente selvagem é o “segredo” mais explícito do ecoturismo fluminense. O segredo?  Não. Apenas bom senso, cachoeiras de montão, água limpa, e pé no barro.

História

O povoamento da região começou nos idos de 1567, com o surgimento de um núcleo agrícola perto da capela de Santo Antônio, que posteriormente deu origem à vila de Santo Antônio de Sá. Esse território foi elevado à categoria de cidade em 1929, adotando o nome atual de Cachoeiras de Macacu.

Desde então, a cidade passou por várias transformações, incluindo a mudança da sede municipal e um período de declínio após a desativação de trechos da ferrovia da Leopoldina nos anos 1960. A retomada do desenvolvimento veio com a valorização do ecoturismo, associando patrimônio histórico rural e natureza abundante à economia local. No último carnaval a cidade chegou a 95% de ocupação hoteleira, mostrando seu grande potencial enquanto atração turística.

Preços resistem heroicamente à inflação turística | Reprodução

Mas tem cachoeiras mesmo?

E bota cachoeira nisso.  A “Cidade das Cachoeiras” tem mais de 80 delas catalogadas, sendo que dentre essas, mais de 20 quedas d’água oferecem poços de água significativos, seja para banho ou saltos. Os maiores destaques são as cachoeiras Terceira Dimensão, Tenebroso, Sete Quedas, Furna da Onça, Três Desejos, Jequitibá e outras espalhadas por distritos como Boa Vista, Boca do Mato, Quizanga e Valério.

Entre as melhores, muitas são valorizadas por trilhas que combinam belas paisagens e pontos de banho: a Cachoeira Terceira Dimensão e a Tenebroso, em Boa Vista, são particularmente populares. O Poço das Bruxas em Boca do Mato é de fácil acesso e muito procurado por visitantes pela beleza e águas cristalinas

Qual a melhor época para conhecer?

A melhor época para visitar Cachoeiras de Macacu é entre abril e outubro, quando as temperaturas ficam amenas (no inverno média de 14 °C e no verão até 28–38 °C) e as chuvas são menos intensas, tornando mais seguro o acesso a algumas trilhas e cachoeiras. Durante o verão, embora o calor seja ideal para banhos, as chuvas são frequentes, o que pode tornar trilhas escorregadias e imprevisíveis. Já no outono e inverno, as quedas d’água continuam vislumbrantes e o clima estável, sem chuvas fortes.

O que devo saber antes de ir

Parte significativa do município está protegida por unidades de conservação como o Parque Estadual dos Três Picos (66% da área) e a Estação Ecológica do Paraíso (com 5.000 hectares). Portanto, boa parte das atrações naturais depende de guias credenciados e respeito às normas ambientais. Um dos pilares da agricultura local é a produção de goiaba. Então separe na mala um lugarzinho praquela goiabada artesanal que vai solapar seu projeto verão.

O que tem para fazer na cidade

Além das cachoeiras e poços naturais espalhados pelos vales e serras, há trilhas como a do Barão, que cruza a Mata Atlântica até Nova Friburgo — uma caminhadinha de cinco a sete horas a depender do estado físico dos valentes.

No aspecto cultural, há atrações como a Casa da Arte Wellington Lyra no Centro, o Anfiteatro de Papucaia e igrejas do século XVIII como as ruínas de Japuíba e São José da Boa Morte. As opções de gastronomia local vão desde pratos típicos a serra a dois japoneses (!), e a cidade tem bares e restaurantes para jantar e ouvir música ao vivo apreciando o pôr do sol.

Cachoeiras de Macacu oferece passeios e trilhas de paisagens que enchem os olhos | Reprodução

É caro viajar para lá?

A viagem para Cachoeiras de Macacu é razoavelmente acessível. A hospedagem em pousadas ou hotéis simples custa de R$ 150 a R$ 400 por noite, dependendo da localização (no Centro ou nas áreas mais rurais).  A alimentação em geral é de custo médio, sem os preços inflacionados de destinos tradicionais.

Passeios com guia custam normalmente entre R$ 50 e R$ 100 por pessoa (nas cachoeiras mais distantes ou incluindo o rapel). O custo-benefício é bom se você busca tranquilidade e contato com a natureza, já que os preços são mais baixos que destinos serranos de nariz mais empinado como Petrópolis ou Friburgo.

Como chegar?

Cachoeiras de Macacu está a cerca de 90 km do Rio de Janeiro, pela BR‑101 e RJ‑116 via Serra Macacu. O acesso é especialmente conveniente de carro para explorar pontos distantes e reservas naturais. Também há ônibus regulares que partem da Rodoviária do Rio em direção à cidade, com tarifas que giram hoje em torno dos R$ 50.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading