Chefe do Exército britânico alerta para alto risco de guerra e pede que população se prepare

General Roly Walker classificou o atual cenário internacional como um momento de “extremo perigo” e defende maior participação da sociedade na preparação militar; metade dos britânicos diz que não lutaria pelo país

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O chefe do Exército britânico, general Sir Roly Walker, fez um alerta sobre a possibilidade de o Reino Unido enfrentar um conflito armado de grandes proporções e afirmou que a população precisará aceitar sacrifícios para fortalecer a defesa nacional. Segundo o militar, o agravamento das tensões internacionais exige uma mudança de postura tanto do governo quanto da sociedade diante dos riscos de uma eventual guerra.

Em discurso para aproximadamente 700 militares na guarnição de Catterick, no norte da Inglaterra, Walker classificou o atual cenário internacional como um momento de “extremo perigo”. Ele defendeu que os britânicos sejam preparados para compreender os custos econômicos e sociais de uma mobilização militar.

“Os cidadãos terão de consentir em sacrifícios para priorizar a defesa e a segurança”, afirmou o general.

O pronunciamento, divulgado pelo portal Forces News, especializado em assuntos militares, ocorre em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia e ao debate sobre a capacidade do Reino Unido de responder a ameaças externas.

Walker afirmou que os líderes políticos precisarão iniciar uma “conversa franca” com a população sobre a necessidade de ampliar os investimentos nas Forças Armadas e sobre o papel que os cidadãos poderão desempenhar na defesa do país.

General diz que possibilidade de guerra voltou a fazer parte da realidade britânica

Ao se dirigir aos militares, Walker ressaltou que a sociedade britânica não pode mais considerar remota a possibilidade de seus soldados serem enviados para uma guerra.

“Nosso país vai precisar de vocês”, disse Walker aos soldados.

Para o comandante, o período em que a população podia manter os conflitos militares distantes de suas preocupações cotidianas chegou ao fim.

“O negócio de ser soldado está voltando à consciência nacional”, afirmou.

O general também destacou que a preparação para uma eventual guerra não depende exclusivamente de equipamentos modernos, aumento de efetivos ou treinamento das tropas. Na sua avaliação, será necessário construir uma compreensão coletiva sobre os desafios enfrentados pelo país.

“Eles precisarão entender o que está acontecendo no mundo da defesa e da segurança e por que este parece ser um momento muito perigoso”, disse.

Governo enfrenta pressão para aumentar gastos com defesa

O alerta de Walker coincide com discussões sobre o financiamento das Forças Armadas britânicas, consideradas insuficientemente preparadas para um conflito prolongado e de grande escala.

O governo do Reino Unido assumiu o compromisso de elevar os gastos militares para 3,5% da renda nacional até 2035. Atualmente, segundo os números apresentados no debate, os investimentos correspondem a aproximadamente 2,6%.

A ampliação do orçamento, entretanto, enfrenta obstáculos financeiros e políticos. O governo precisa encontrar recursos para cobrir uma insuficiência estimada em 5 bilhões de libras no planejamento de investimentos em defesa.

O ministro Wes Streeting afirmou recentemente que a expansão das despesas militares exigirá “escolhas e compensações”, em referência à necessidade de estabelecer prioridades na distribuição do dinheiro público.

O orçamento britânico está previsto para ser apresentado em 28 de outubro, quando a discussão sobre o financiamento da defesa deverá ganhar novos desdobramentos.

O desafio envolve não apenas aumentar o volume de recursos, mas também definir quais áreas receberão investimentos e como conciliar as despesas militares com as demandas de outros serviços públicos.

Metade dos britânicos afirma que não lutaria pelo país

Apesar das preocupações com a segurança internacional, uma parcela expressiva da população britânica demonstra resistência à possibilidade de participar diretamente de um conflito armado.

Uma pesquisa do instituto Ipsos, citada pela imprensa britânica, apontou que metade dos entrevistados não estaria disposta a lutar pelo Reino Unido em nenhuma circunstância.

O resultado evidencia a distância entre a preocupação com ameaças externas e a disposição individual para integrar uma eventual mobilização militar.

Ao mesmo tempo, mais da metade dos participantes do levantamento manifestou apoio ao aumento dos gastos com defesa.

Entre aqueles que defendem investimentos militares maiores, 37% preferem que os recursos sejam retirados de outras áreas do orçamento público. Outros 36% apoiam a elevação de impostos para financiar a expansão das despesas.

Falta de pessoal e recursos preocupa comando militar

A capacidade operacional do Exército britânico também vem sendo questionada diante de problemas estruturais e limitações de pessoal.

Segundo relatos recentes, as Forças Armadas não dispõem de comandantes em número suficiente para operar seus principais tanques de batalha. Exercícios militares também teriam sido cancelados por falta de recursos.

Essas dificuldades aumentam as preocupações sobre a capacidade do Reino Unido de sustentar operações militares prolongadas, especialmente diante das exigências de uma guerra terrestre de grande escala.

O debate sobre a preparação da população para um conflito já havia sido levantado anteriormente por integrantes da cúpula militar.

Em 2024, o então chefe do Exército britânico, general Sir Patrick Sanders, antecessor de Walker, defendeu que os cidadãos precisariam estar preparados para uma eventual convocação caso o país entrasse em guerra.

Sanders chamou a atenção para o tamanho reduzido do Exército profissional e para a necessidade de ampliar a capacidade de mobilização nacional.

Soldados mais jovens poderão assumir maior responsabilidade em uma guerra

Durante o discurso em Catterick, Walker dirigiu uma advertência especialmente aos militares mais jovens e menos experientes.

Segundo o general, em um eventual conflito terrestre, grande parte da responsabilidade pela defesa nacional recairá sobre os soldados que hoje integram as fileiras do Exército.

“É sobre vocês que repousará a defesa desta nação, se, no fim, forem chamados para lutar”, disse aos militares.

Para o comandante, a defesa do Reino Unido não poderá depender apenas das decisões tomadas dentro dos quartéis. Será necessário envolver o governo e a população em uma discussão sobre os riscos, os recursos e os sacrifícios exigidos pela segurança nacional.

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