Vídeo: Prédio histórico que sobreviveu a duas guerras é destruído durante protestos na França

Edifício do século 19 em Limoges foi devastado pelo fogo; prefeito denuncia falta de policiamento, cobra recursos para reconstrução e ameaça renunciar ao cargo

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A cidade francesa de Limoges amanheceu neste domingo (18) diante de um cenário de destruição. Um incêndio devastou a prefeitura local, um edifício histórico do século 19 que havia resistido às duas guerras mundiais.

Segundo a AFP, o fogo teria começado depois que um veículo da polícia municipal foi incendiado diante do prédio, durante a onda de protestos que atinge a França. As chamas se espalharam pela estrutura, provocando o desabamento do telhado sobre os pavimentos inferiores. A torre do relógio, que tinha 43 metros de altura e era um dos principais símbolos arquitetônicos da cidade, desabou (veja no vídeo mais abaixo).

O ataque ocorreu na noite de sábado (17). Testemunhas acompanharam as chamas consumirem a estrutura enquanto equipes de emergência tentavam controlar a situação.

A destruição provocou comoção entre os moradores e despertou lembranças do incêndio que atingiu a Catedral de Notre-Dame, em Paris, em abril de 2019, quando parte do telhado e a famosa agulha central do monumento desabaram.

O representante do governo francês na região, Maurice Barate, classificou o episódio como uma “catástrofe patrimonial”. Segundo ele, o telhado desabou sobre os pavimentos inferiores, enquanto grande parte da estrutura externa foi destruída. Apenas a ala oeste teria escapado dos danos mais graves.

Prédio inaugurado em 1883 era um dos principais monumentos de Limoges

Construída em estilo neorrenascentista e inspirada na prefeitura de Paris, a sede do governo municipal de Limoges foi inaugurada em 1883 e integrava o patrimônio histórico protegido da França.

O edifício se destacava pela ornamentação da fachada e pela torre central do relógio, que alcançava 43 metros de altura e dominava a paisagem da praça.

A construção havia atravessado grandes transformações políticas e sociais desde o século 19, incluindo as duas guerras mundiais, sem sofrer uma destruição comparável à registrada no sábado.

Na manhã deste domingo, moradores e curiosos se concentraram nas proximidades do prédio para observar o que restou da estrutura. Sob o céu azul, equipes técnicas iniciaram a avaliação dos danos e das condições de segurança das partes que permaneceram de pé.

O desabamento do telhado sobre os andares inferiores aumentou a preocupação com a estabilidade do edifício e com a possibilidade de perda de elementos históricos preservados por mais de um século.

Prefeito denuncia ataque planejado e falta de policiais para proteger prefeitura

O prefeito de Limoges, Guillaume Guerin, de centro-direita, afirmou que a polícia municipal foi rapidamente superada por uma multidão de centenas de pessoas durante os episódios de violência.

Segundo ele, os responsáveis pelo ataque quebraram janelas e utilizaram um aríete, equipamento pesado empregado para arrombar portas, para forçar a entrada principal do prédio.

A forma como a invasão foi executada levou o prefeito a apontar indícios de planejamento prévio.

“A logística, a organização e a premeditação por trás do ataque de ontem à prefeitura é algo que considero insuportável”, disse Guerin aos jornalistas.

O prefeito também criticou a distribuição das forças de segurança durante os protestos. De acordo com seu relato, agentes nacionais haviam sido deslocados para conter manifestações em outros pontos da cidade, deixando a prefeitura sem proteção suficiente.

“Eu não tinha um único policial nacional para proteger a prefeitura. Este país vai mal, este país vai muito mal, e é um pequeno prefeito de província quem está dizendo isso”, criticou Guerin.

Em entrevista à Reuters, o prefeito afirmou que poderá renunciar ao cargo caso Limoges não receba 1 milhão de euros, aproximadamente R$ 5,69 milhões, para iniciar os reparos no edifício histórico.

O incêndio também atingiu espaços utilizados pela administração municipal, incluindo o salão de casamentos e dependências do registro civil, segundo informações divulgadas pela AFP.

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