‘Ultrapassar o limite agora é inevitável’, diz chefe da ONU sobre meta climática de 1,5°C

António Guterres alerta para a urgência de ações climáticas antes da COP30, em Belém

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, admitiu nesta quarta-feira (22) que o mundo não conseguirá cumprir a principal meta do Acordo de Paris: limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. A declaração foi feita durante uma reunião na Organização Meteorológica Mundial (OMM), em Genebra, e ocorre a menos de um mês da COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que será realizada em Belém, no Pará.

“Uma coisa já está clara: não conseguiremos conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C nos próximos anos”, afirmou Guterres, ressaltando que “ultrapassar o limite agora é inevitável”.

O dirigente alertou que a incapacidade coletiva de reduzir as emissões de gases do efeito estufa a tempo representa um ponto crítico para a humanidade e exige uma resposta imediata.

Acordo de Paris sob ameaça

Firmado em 2015, o Acordo de Paris estabeleceu como meta principal manter o aumento da temperatura global “bem abaixo” dos 2°C e buscar esforços para que o limite de 1,5°C não fosse ultrapassado. Essa marca foi definida com base em evidências científicas que indicam que, acima desse patamar, os impactos climáticos se tornam cada vez mais severos e irreversíveis, como a intensificação de ondas de calor, secas extremas, derretimento de geleiras e elevação do nível dos oceanos.

Entretanto, os últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já haviam apontado que o mundo se aproxima rapidamente desse limite. As emissões globais de dióxido de carbono, metano e outros gases continuam crescendo, especialmente em grandes economias emergentes e países com matriz energética altamente dependente de combustíveis fósseis.

Caminho sem retorno a curto prazo

O discurso de Guterres reflete uma mudança de tom nas declarações da ONU sobre o futuro climático. Até pouco tempo, a entidade mantinha a esperança de que políticas globais mais rigorosas pudessem reverter a trajetória de aquecimento ainda nesta década. Agora, o secretário-geral reconhece que o limite de 1,5°C será ultrapassado “nos próximos anos”, embora ressalte que esforços para frear o aumento posterior continuam essenciais.

“Mesmo que passemos desse ponto crítico, ainda há tempo para reduzir os danos e evitar um aquecimento ainda maior. O desafio é enorme, mas a inação é um suicídio coletivo”, disse Guterres em outras ocasiões recentes, reiterando a necessidade de que países ricos cumpram suas promessas de financiamento climático e acelerem a transição energética global.

Expectativa para a COP30 em Belém

A fala ocorre em um momento simbólico, às vésperas da COP30, que será realizada entre 10 e 21 de novembro em Belém, e deve reunir chefes de Estado, cientistas e representantes da sociedade civil. O Brasil, anfitrião da conferência, tem tentado se posicionar como mediador entre países desenvolvidos e emergentes, destacando o papel da Amazônia como elemento central no combate à crise climática.

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