Chacina de Unaí: 18 anos depois, ex-prefeito Antério Mânica é condenado a 64 anos de prisão pela morte de fiscais do Trabalho

O ex-prefeito de Unaí, Antério Mânica, acusado de ser um dos mandantes da chacina na cidade, foi condenado a 64 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, mas poderá recorrer em liberdade. O resultado do julgamento, realizado na sede da Justiça Federal, em Belo Horizonte, foi divulgado na noite desta sexta-feira (27). Após as alegações finais da acusação e…

O ex-prefeito de Unaí, Antério Mânica, acusado de ser um dos mandantes da chacina na cidade, foi condenado a 64 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, mas poderá recorrer em liberdade.

Antério Mânica

O resultado do julgamento, realizado na sede da Justiça Federal, em Belo Horizonte, foi divulgado na noite desta sexta-feira (27).

Após as alegações finais da acusação e defesa, os jurados, cinco mulheres e dois homens, se reuniram por volta das 15h e só retornaram ao plenário às 19h. 

Mânica foi condenado por quádruplo homicídio triplamente qualificado. 

“A sentença foi necessária. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, juntamente com as famílias, está em vigília há 18 anos. São 18 anos de dor, de espera, de sofrimento pela condenação dos mandantes dos assassinatos do Nelson, do Eratóstenes, do João Batista e do Aílton. É importante que a sociedade seja vingada neste momento”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho, Bob Machado.

O crime ocorreu em janeiro de 2004, quando três fiscais do trabalho, que investigavam denúncias de trabalho escravo na região, e o motorista que os acompanhava foram assassinados em uma emboscada.

Antério Mânica chegou a ser condenado a 100 anos de prisão, em novembro de 2015, pelo Tribunal do Júri da Justiça Federal de Minas Gerais. Ele foi considerado culpado do crime de quádruplo homicídio, triplamente qualificado por motivo torpe, mediante paga e sem possibilidade de defesa das vítimas.

No entanto, três anos depois, em novembro de 2018, ao analisar recurso interposto pela defesa do réu, a Quarta Turma do Tribunal Regional da 1ª Região anulou a condenação e determinou novo julgamento. Por 2 votos a 1, os desembargadores acataram o argumento de que as provas do processo contra ele são “insuficientes”.

Em 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais do Ministério do Trabalho Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves, e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram assassinados em uma emboscada na região rural de Unaí.

O trio investigava denúncias de trabalho escravo na região. O episódio ficou conhecido como chacina de Unaí.

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