O Centrão passou a se articular contra o PL em Santa Catarina após um racha político provocado pela entrada de Carlos Bolsonaro (PL) na disputa pelo Senado. O movimento resultou na saída do MDB da base do governador Jorginho Mello (PL), que pretende disputar a reeleição em 2026.
A informação foi revelada pela colunista Letícia Casado, do UOL, e aponta que o rompimento expõe uma crise na coalizão estadual do PL, com reflexos diretos no xadrez eleitoral catarinense.
MDB rompe com governo e anuncia projeto próprio
Na noite de segunda-feira (26), o MDB reuniu seu diretório estadual e anunciou oficialmente o desligamento da gestão Jorginho Mello. Em nota, o partido afirmou que vai construir um projeto próprio para a eleição ao governo de Santa Catarina e abrir diálogo com outras legendas.
O peso do MDB no estado é considerado decisivo: a sigla comanda 71 prefeituras e tem 59 vice-prefeitos nos 295 municípios catarinenses, o que representa quase metade das cidades do estado.
Aliança com PSD ganha força nos bastidores
Nos bastidores, dirigentes partidários dão como certo o alinhamento do MDB com o PSD, que tem como principal nome o prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Ele é visto como a maior ameaça eleitoral a Jorginho Mello na disputa pelo governo estadual.
Para o PSD, a construção de uma aliança robusta em Santa Catarina também é estratégica no plano nacional. O partido busca fortalecer sua candidatura presidencial, que pode ser encabeçada pelos governadores Ratinho Jr. (Paraná) ou Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Centrão fala em “traição” do PL
Integrantes do centrão afirmam, reservadamente, que o rompimento foi motivado por uma “traição” do PL. Segundo relatos, Jorginho Mello teria preterido acordos firmados com lideranças locais para acomodar Carlos Bolsonaro na chapa ao Senado.
O governador mantinha um acordo com o MDB para indicar o vice-governador e com o Progressistas para uma das vagas ao Senado. No entanto, na semana passada, anunciou o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como vice na chapa, frustrando aliados.
Disputa pelo Senado acirra crise interna
A entrada de Carlos Bolsonaro na disputa eleitoral em Santa Catarina é apontada como o estopim da crise. Além dele, outros dois nomes fortes pleiteiam as vagas ao Senado: a deputada federal Carol de Toni (PL) e o senador Espiridião Amin (Progressistas).
A mudança de domicílio eleitoral de Carlos, do Rio de Janeiro para Santa Catarina, gerou forte irritação entre caciques locais, já que três nomes passaram a disputar apenas duas cadeiras.
Carol de Toni ameaça deixar o PL
Dentro do PL, a tensão também aumentou. O partido chegou a discutir a possibilidade de deixar Carol de Toni fora da disputa ao Senado. A deputada, que conta com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e lidera pesquisas internas, reagiu e ameaçou deixar a legenda para viabilizar sua candidatura.






Deixe um comentário