A determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) para que 80% da frota de ônibus estivesse em circulação ainda não era cumprida na manhã desta quarta-feira (1º), terceiro dia da greve dos rodoviários. Em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, afirmou que as empresas de ônibus seguem descumprindo a decisão judicial e negou que a Prefeitura faça parte das negociações entre patrões e trabalhadores.
Segundo o Rio Ônibus, apenas 1.500 coletivos estavam em operação às 6h, número bem abaixo dos 2.880 veículos exigidos pela determinação do TST. Com a oferta reduzida, passageiros enfrentaram mais um dia de filas, demora nos pontos e aumento da procura por carros de aplicativo.
Ao comentar o cenário, Eduardo Cavaliere disse que a prefeitura monitora a operação em tempo real por meio do sistema de bilhetagem Jaé e afirmou que menos de 40% dos ônibus convencionais circulavam na cidade.
“A gente consegue dizer que só tem menos de 40% dos ônibus comuns circulando na cidade porque acabou com a caixa preta, colocou o Jaé para ter acesso à informação. Temos os números em tempo real. O que o Tribunal Superior do Trabalho disse ontem é que cabe à Prefeitura dizer se os concessionários estão cumprindo a determinação judicial, e é o que mais uma vez não está acontecendo hoje”, afirmou.
O prefeito também ressaltou que a MobiRio, empresa responsável pela operação do sistema BRT, manteve o serviço funcionando durante a paralisação.
“A MobiRio é uma empresa pública, que presta um serviço extremamente bem avaliado pela população. Colocou 92% da frota funcionando na cidade hoje. Isso significa que motoristas, mecânicos, borracheiros e funcionários em geral estão trabalhando e atendendo a população”, destacou.
Negociações
Cavaliere voltou a afirmar que a greve envolve uma negociação entre o Sindicato dos Rodoviários e as empresas de ônibus e criticou tentativas de incluir a prefeitura no impasse.
“Essa negociação é entre os sindicatos. Por mais que alguns elementos políticos queiram fazer com que a prefeitura seja colocada no meio dessa negociação, meu papel como prefeito não é politizar uma situação como essa, é atender da melhor forma possível o interesse público”
Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio
Ele acrescentou que toda a estrutura municipal permanece mobilizada para minimizar os impactos da paralisação.
“Meu papel como prefeito é dizer para a população que estou aqui no Centro de Operações, virando a madrugada há três dias, com a prefeitura inteira mobilizada para garantir que as garagens vão funcionar normalmente e que os terminais vão funcionar normalmente”, declarou.
Entenda o caso
Na noite de terça-feira (30), o presidente do TST elevou de 50% para 80% o percentual mínimo da frota que deve circular durante a greve, atendendo a um pedido da Prefeitura do Rio. Caso a decisão continue sendo descumprida, o Sindicato dos Rodoviários poderá ser multado em R$ 100 mil por dia.
Enquanto isso, o impasse entre empresários e trabalhadores continua. O Rio Ônibus afirma que o sindicato não encaminhou as escalas indicando quais motoristas deveriam trabalhar para cumprir a determinação judicial. Já o Sindicato dos Rodoviários criticou a decisão do TST, mas informou que irá cumprir a liminar.
Uma nova audiência de conciliação está marcada para as 11h desta quarta-feira no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1). Às 16h, os rodoviários realizam uma assembleia em Rocha Miranda para discutir os próximos passos do movimento.
Reivindicações
A greve foi aprovada pelos rodoviários na noite de domingo. A categoria reivindica piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, além de reajuste no vale-alimentação e adoção da escala de trabalho 5×2.






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