Castro reafirma ofensiva contra o crime na missa por policiais mortos no Rio: ‘a flecha saiu do arco’

Governador promete manter ações contra o crime após homenagem a agentes mortos na megaoperação.

A missa de sétimo dia em homenagem aos quatro policiais mortos na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha reuniu autoridades, familiares e integrantes das forças de segurança no Theatro Municipal, nesta terça-feira. A ação policial se tornou a mais letal da história do estado, com 121 mortos. Antes da cerimônia, a Cinelândia ficou tomada por viaturas, enquanto familiares dos agentes foram recebidos sob aplausos. A filha do policial civil Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, vestia uma camisa do Botafogo com a frase “Papai te amo”.

Governador diz que não haverá recuo
Em discurso, o governador Cláudio Castro (PL) afirmou que não recuará no enfrentamento ao crime organizado e declarou que a operação provocou um “movimento nacional” contra facções. “Podem ameaçar à vontade. A flecha saiu do arco e ela não vai voltar. Não vamos aceitar armas de guerra nas ruas. Vamos combater isso, doa a quem doer”, disse. Castro também elogiou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de abrir inquérito para investigar o crime organizado no Rio, destacando a parceria com a Polícia Federal.

Secretários de segurança homenageiam agentes
Os quatro secretários da área de segurança — Felipe Curi (Polícia Civil), Maria Rosa Nebel (Administração Penitenciária), Marcelo Menezes (Polícia Militar) e Victor Cesar (Segurança Pública) — discursaram ao fim da cerimônia. A missa foi celebrada por capelães da PM, que citaram parábolas bíblicas e ressaltaram a “vocação de sacrifício” dos policiais. O capelão Douglas Marins afirmou: “Estamos abatidos pela perda dos nossos heróis, mas não destruídos. Seus nomes já estão marcados na história”.

Quem eram os policiais mortos na megaoperação
Rodrigo Cabral, policial civil há dois meses e lotado na 39ª DP (Pavuna), foi atingido na nuca durante o confronto. Ele era considerado promissor e frequentemente compartilhava momentos com a família nas redes sociais. Sua esposa, que havia publicado uma homenagem pelos 16 anos de relacionamento em 2024, dizia que ele era “o melhor pai e marido”.
Marcos Vinicius Cardoso Carvalho, o “Máskara”, tinha 20 anos de carreira e chefiava a 53ª DP (Mesquita). Respeitado entre colegas, participava das operações em campo e foi baleado na cabeça. Um áudio de uma policial que tentava socorrê-lo registrou a intensidade do confronto.
Os sargentos do Bope Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, 39, tinham 17 e 14 anos de corporação, respectivamente. Ambos chegaram a ser socorridos, mas não resistiram. Serafim deixa esposa e filha; Heber deixa esposa, dois filhos e um enteado. O Bope lamentou as mortes nas redes sociais.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading