O governador do Rio, Cláudio Castro, e o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino, firmaram neste quarta-feira (8) o acordo de cooperação técnica, com a criação do Cifra (Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos). O combate às fontes de renda do crime organizado é o objetivo principal.
No ato da assinatura do acordo, Castro voltou a defender a redução da progressão de pena para crimes graves e para presos portando armas de grosso calibre, como fuzis.
“A partir da questão da Maré, intensificamos conversas para que saísse do papel e para elaborarmos um projeto para o Brasil a partir do Rio de Janeiro, atingindo todo o país, e que pudesse ser um combate a máfias que já são maiores do que organizações criminosas locais”, explicou.
O governador frisou a importância da segurança pública para impulsionar as atividades econômicas e de outros setores do estado.
“Não são mais malotes para cima e para baixo. O problema da lavagem de dinheiro funciona dentro do sistema financeiro. Não podemos deixar que a atividade criminosa se formalize. O comitê é um pilar para resultados reais e não ficar em situações paliativas.”
O comitê será formado por Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), secretarias de Polícia Civil e da Fazenda, Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O governador e o ministro também entregaram 218 viaturas à Polícia Militar, que, de acordo com o poder estadual, representam um investimento de R$ 47,2 milhões.
Dino disse que o ministério deflagrou, com o apoio de policiais civis de 5 estados, uma operação contra a violência nas escolas. Quatro pessoas eram procuradas.
O governador destacou como exemplo o rastreamento de informações em ações de inteligência.
“Estamos levantando o CNPJ em todas essas áreas conflagradas. Com a ajuda da Secretaria de Fazenda, estamos vendo quais têm disparidade no faturamento e quais estão ligados a criminosos”, detalhou.
De acordo com Dino, a colaboração inclui países vizinhos, e a ideia é a formação de uma força que inclua as nações fronteiriças — na quinta-feira (9), será lançada a Ameripol, a “Interpol das Américas”.
“Estamos fortalecendo o caminho do dinheiro para enfraquecer as organizações criminosas, especialmente das narcomilícias”, disse Dino.
O ministro destacou que não se trata de um projeto temporário. O comitê terá uma sede física e contará com a participação de todos os órgãos estaduais e federais.
O acordo terá validade inicial de 12 meses, contados a partir da data da publicação de seu extrato no Diário Oficial da União, podendo ser prorrogado. Após o prazo, os órgãos envolvidos deverão elaborar relatórios com resultados, discriminando as ações empreendidas e os objetivos alcançados.
Segundo os envolvidos no projeto, a criação do Ciifra permitirá compartilhar informações, métodos e técnicas, o que pode servir de molde para outros estados do Brasil.
Um dos pontos de partida para a criação do comitê são investigações já desenvolvidas pelo Departamento-Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) da Polícia Civil do Rio, com foco para a recuperação de ativos.
A coordenação-geral do Cifra caberá à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça, e à Secretaria de Polícia Civil do RJ. Já a coordenação operacional será da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) da Polícia Civil.
Com informações do g1





