Caso Master: Mendonça prorroga investigação por 60 dias a pedido da PF

Ministro do STF atende solicitação para continuidade de diligências em apuração sobre esquema de fraude bilionário

]O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decidiu prorrogar por mais 60 dias o inquérito que investiga o chamado “caso Master”, atendendo a um pedido da Polícia Federal (PF).

Na decisão, tomada após solicitação formal da PF na terça-feira (17), Mendonça afirmou que a medida é necessária para a continuidade das apurações. Segundo o ministro, o prolongamento do prazo permitirá a realização de “diligências reputadas imprescindíveis” para o esclarecimento dos fatos. “Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais sessenta dias”, registrou.

Material apreendido ainda é analisado

De acordo com a colunista Camila Bomfim, do g1, os investigadores sustentam que ainda há grande volume de material a ser analisado. Entre os itens estão documentos, computadores e celulares apreendidos durante as fases da operação.

A investigação gira em torno da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro.

Suspeitas de fraudes bilionárias

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria criado carteiras de crédito falsas e desviado recursos para benefício próprio. As estimativas indicam que os prejuízos podem ultrapassar R$ 12 bilhões.

As apurações também apontam a participação de instituições e agentes públicos. Entre os investigados está o presidente do banco, além de outros integrantes da cúpula da instituição financeira.

Operação teve várias fases

A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro de 2025, com mandados contra dirigentes do Banco Master, incluindo Vorcaro. Na ocasião, a Justiça determinou ainda o afastamento de Paulo Henrique Costa, presidente do Banco de Brasília (BRB), sob suspeita de envolvimento em operações irregulares.

Já em janeiro de 2026, uma nova etapa concentrou esforços no rastreamento de recursos e na recuperação de ativos. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões, além de cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário e seus familiares. Entre os bens apreendidos estavam carros de luxo e quantias em dinheiro.

Suspeita de infiltração e intimidação

Na fase mais recente, realizada em março deste ano, a investigação revelou a existência de uma estrutura de coerção e infiltração em órgãos reguladores. A PF identificou um grupo denominado “A Turma”, que teria sido utilizado para monitorar e intimidar adversários e jornalistas.

Servidores do Banco Central do Brasil também foram alvo de ações, suspeitos de atuar como “consultores privados” do esquema, antecipando informações e facilitando processos regulatórios em troca de propina.

Diante das novas descobertas, Vorcaro foi preso novamente, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. Os investigados poderão responder por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de Justiça.

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