O general Richard Nunes, chefe do Estado-Maior do Exército, afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que nenhuma linha de investigação foi descartada no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Nunes também declarou que o ex-PM Ronnie Lessa, confessamente envolvido no crime, era suspeito desde o início das apurações.
A afirmação do general contraria parte das conclusões da Polícia Federal, que apontou Lessa como suspeito apenas após a pressão pública sobre o caso.
O depoimento de Nunes ocorreu no âmbito da ação penal que envolve o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, acusado de ter participado do planejamento do crime e de ter retardado seu esclarecimento. A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que os mandantes do crime foram os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, ligados ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e à Câmara dos Deputados, respectivamente.
Nunes esclareceu que, em reuniões com Rivaldo e o delegado Giniton Lages, responsável pela investigação do caso, eles levantaram suspeitas sobre a credibilidade do ex-PM Rodrigo Ferreira, o Ferreirinha, que havia apontado outros nomes como possíveis envolvidos no crime. Segundo o general, os delegados já desconfiavam que Ferreira poderia estar manipulando informações para desviar o foco da apuração.
General fiz que não tinha acesso a detalhes das investigações
Além disso, Nunes afirmou que a linha investigativa que incluía Lessa e Élcio de Queiroz, motorista envolvido no assassinato, estava presente desde o início, mesmo que houvesse outros suspeitos em paralelo. Ele enfatizou que, apesar de ter acompanhado as investigações de perto, não tinha acesso a todos os detalhes operacionais, prestando apoio à equipe quando solicitado.
A PGR e a PF indicam que os irmãos Brazão teriam encomendado o assassinato de Marielle por conta de divergências políticas históricas com o PSOL e por interesses comerciais em terrenos ilegais na zona oeste do Rio de Janeiro. Antes da audiência, Domingos Brazão criticou as investigações da PF, alegando que os investigadores agiram com “maldade” ao não esclarecerem a verdade dos fatos.
Os depoimentos de testemunhas serão retomados em 17 de outubro, com interrogatórios dos réus previstos para ocorrer entre os dias 21 e 25 do mesmo mês.
Com informações da Folha de S.Paulo
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