Não foi desta vez que o ex-vereador Dr. Jairinho conseguiu reverter a pena pelo assassinato do menino Henry Borel, na época de quatro anos, com cumplicidade da mãe do garoto, Monique Medeiros, em 2021: a Justiça do Rio negou o pedido para anulação de provas digitais do caso, como prints de conversas com a antiga babá da vítima, colhidas com legalidade.
Os advogados de Jairinho argumentaram que a apreensão de mensagens no WhatsApp teria violado protocolos legais de armazenamento e manuseio das provas. Alegaram ainda supostas falhas no laudo de necropsia. A tentativa foi rechaçada pelo relator do caso, desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, que apontou não haver qualquer indício de irregularidade ou prejuízo que comprometesse as provas.
“O momento oportuno para a análise aprofundada será no Tribunal do Júri. As provas foram devidamente lacradas, analisadas com integridade verificada e não há manipulação comprovada”, escreveu o relator no acórdão. A decisão atende a determinação do STJ, que solicitou reavaliação técnica da preliminar apresentada pela defesa.
Jairinho era padrasto da criança quando o matou por espancamento, cometido dentro de casa. Anos após o crime, o pai de Henry, Leniel Borel, se elegeu vereador pela Câmara do Rio, ex-trabalho de Dr. Jairinho até a morte do enteado. Monique também teve um pedido de soltura negado neste ano.
Pelas redes sociais, Leniel alertou para o que ele chama de “mais uma tentativa” e chamou a luta por justiça pelo menino, como ‘diária’. Leniel voltou a se casar e hoje tem uma filha, Valentina, nascida em 2024, mesmo ano da consagração dele nas urnas.
“Essa foi mais uma tentativa vergonhosa de reescrever os fatos e confundir a opinião pública para tentar livrar os assassinos da justiça. Mas o tribunal foi firme e reafirmou o que está claro no processo: meu filho foi brutalmente assassinado. Já são mais de quatro anos sem julgamento. O que mais falta para esse júri ser marcado?”, questiona o pai da vítima.
Já o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, usou as redes sociais para divulgar a vitória dele em um processo movido pela mãe de Henry, que foi impedida de atuar como professora após a concessão de um habeas-corpus. Monique pedia R$ 100 mil de indenização.





