Vídeo: Carlos Minc celebra despedida do Suvaco do Cristo e revive memória de resistência no carnaval

Aos 74 anos, deputado acompanhou último desfile do bloco no Jardim Botânico e destacou irreverência, protesto e alegria ao longo desses 40 anos

O último desfile do Suvaco do Cristo, realizado neste domingo (8) no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, reuniu emoção, memória e celebração. Entre os foliões estava o deputado estadual Carlos Minc, (PSB) que, aos 74 anos, marcou presença na despedida de um dos blocos mais simbólicos do carnaval de rua carioca.

Mesmo sem muito samba no pé, não faltou empolgação ao parlamentar, um dos decanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em meio à concentração e ao início do cortejo, Minc acompanhou músicos e foliões e destacou o significado histórico do bloco, criado em 1986 e associado, desde o início, à irreverência e à contestação.

Memória dos primeiros anos

Ao lembrar a origem do Suvaco do Cristo, Minc resgatou episódios que marcaram os primeiros desfiles. “Quarenta anos de Suvaco do Cristo, de reverência, protesto, alegria”, afirmou. O deputado recordou ainda um momento de tensão vivido no segundo ano do bloco.

“Me lembro que no segundo ano eu fui na delegacia tirar os dirigentes do Suvaco que foram detidos, que a igreja achou que era um insulto falar das divinas axilas”, disse.

Para Minc, o episódio simboliza o espírito do bloco desde a fundação. “Mas não, a gente tá aqui pra brincar, curtir o Rio, contestar todos os tiranos e obscurantistas e reverenciar a beleza do carnaval”, completou, enquanto acompanhava o desfile pelas ruas do bairro. Assista:

Concentração marcada por emoção

Os integrantes do Suvaco do Cristo começaram a se reunir por volta das 8h, na Rua Faro, no Jardim Botânico, para o último desfile do bloco, que completa 40 anos de história. Músicos, baianas, casal de mestre-sala e porta-bandeira e a rainha de bateria tentavam disfarçar a emoção, mas o clima era de despedida.

Diretor da bateria há 39 anos, Felipe Moreno falou com dificuldade sobre o encerramento do ciclo. “A gente fica triste, né? São 39 anos à frente da bateria. É uma vida inteira. Estou emocionado, você me pergunta isso e…”, disse, antes de interromper a fala e se voltar aos músicos.

Ancestralidade, ritmo e despedida

Responsável pela ala das baianas, Antônia Marta Araújo, de 68 anos, também destacou o significado simbólico do bloco. “É uma emoção muito grande! Estou triste, claro. Participar do Suvaco é uma oportunidade de me conectar com a ancestralidade, é tudo em nome dela”, afirmou. Ela ainda desfila neste carnaval pela escola de samba São Clemente.

Durante o cortejo, Carlos Minc voltou a comentar o papel da música na identidade do Suvaco. “O ritmo, pra mim, a cuíca é a campeã. É a hipnose sensual. Treme tudo até o pensamento”, disse, ao observar a bateria em ação.

Entre os motivos para o encerramento do bloco está a dificuldade de manter a estrutura de organização. “Eu basicamente fico ajudando o João, fundador do bloco, com as demandas. Então, fica muito puxado. É um gasto de energia muito grande”, explicou Felipe Moreno.

À frente do desfile, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Edson Vida e Cynthia Howlett, também viveu um misto de alegria e tristeza. “Minha ficha ainda não caiu. É meu compromisso de todo carnaval, há 23 anos. Quero entregar o melhor aqui, fazer desse dia ainda mais especial”, disse Cynthia.

Edson completou: “O samba não pode parar! É um dia feliz e triste ao mesmo tempo. Mas a gente continua, o mais importante é fazer esse dia ser inesquecível”.

Assim, entre memória, crítica e celebração, o Suvaco do Cristo se despediu das ruas reafirmando o espírito que marcou sua trajetória no carnaval do Rio

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