Carlos Bolsonaro ironiza indiciamento no caso da Abin Paralela: ‘PF do Lula’

Vereador e filho 02 do ex-presidente diz que a polícia atua por “interesse político”

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, reagiu em tom irônico ao ser indiciado pela Polícia Federal no inquérito que investigou o uso ilegal da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionagem de adversários políticos durante o governo Bolsonaro. Em publicação feita nesta terça-feira (17) na rede social X (antigo Twitter), Carlos insinuou motivação política por trás da investigação.

“Alguém tinha alguma dúvida que a PF do Lula faria isso comigo? Justificativa? Creio que os senhores já sabem: eleições em 2026? Acho que não. É só coincidência.”, escreveu o vereador.

Carlos Bolsonaro está entre os 35 indiciados no inquérito que apura a existência de uma “Abin paralela” voltada ao monitoramento de figuras dos Três Poderes, servidores públicos e jornalistas. Também foram indiciados o ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin, e o atual diretor do órgão, Luiz Fernando Corrêa. A conclusão do inquérito foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa operava com o uso do software de espionagem First Mile, de origem israelense, adquirido ainda no governo Michel Temer. A ferramenta é capaz de rastrear a localização de pessoas com base em dados de antenas de telecomunicação.

A investigação identificou quatro núcleos de atuação dentro da estrutura:

  1. Núcleo político: formado por assessoras de Carlos Bolsonaro e Alexandre Ramagem, que atuavam como intermediárias da troca de informações de interesse da família Bolsonaro.
  2. Núcleo da alta gestão: composto pela direção da Abin à época e servidores de confiança. Eles teriam ciência da operação ilegal e buscavam atribuir uma aparência de legalidade às ações.
  3. Núcleo Portaria 157: servidores teriam tentado vincular parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
  4. Núcleo técnico (Tratamento Log): responsável por operar o sistema First Mile, inserindo e monitorando números telefônicos escolhidos pela organização.

Esses grupos, segundo a PF, trabalharam para interferir em investigações contra os filhos do ex-presidente. Haveria produção de relatórios com o objetivo de inocentar Renan Bolsonaro e auxiliar a defesa do senador Flávio Bolsonaro, investigado no caso das “rachadinhas”.

O relatório aponta ainda que perfis falsos foram utilizados para divulgar informações sabidamente falsas com o intuito de atacar adversários e manipular a opinião pública.

Quem foram os alvos da espionagem

A quebra de sigilo da investigação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes em julho de 2024, revelou os nomes de dezenas de pessoas espionadas ilegalmente pela estrutura paralela da Abin. Entre os alvos estavam autoridades dos Três Poderes, jornalistas e servidores de órgãos ambientais e fiscais.

— Poder Judiciário: ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Luiz Fux.

— Poder Legislativo: os deputados federais Arthur Lira, Rodrigo Maia, Kim Kataguiri e Joice Hasselmann; os senadores Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues, Alessandro Vieira e Omar Aziz.

— Poder Executivo: o ex-governador de São Paulo João Doria; os servidores do Ibama Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges; e os auditores da Receita Federal Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto.

— Jornalistas: Monica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista.

Apesar do indiciamento, a investigação ainda será analisada pelo STF, que decidirá se aceita ou não a denúncia formal contra os acusados. A defesa de Carlos Bolsonaro ainda não se manifestou oficialmente.

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