Durante um evento em Presidente Prudente (SP), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu nesta terça-feira (17/6) ao seu indiciamento pela Polícia Federal no inquérito que apura a existência de uma estrutura ilegal de espionagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), conhecida como “Abin paralela”. Segundo reportagem do portal Metrópoles, Bolsonaro declarou que é o político “mais perseguido” do país.
“Eu duvido que alguém no Brasil foi mais perseguido do que eu. Mas vale a pena. Nós temos que enfrentar os desafios, nós mexemos com o sistema. Um sistema podre, carcomido”, afirmou o ex-presidente, que está inelegível, ao discursar na Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte). Ao seu lado estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente nacional do PSD e secretário estadual de Governo, Gilberto Kassab.
No mesmo discurso, Bolsonaro voltou a insinuar que poderá estar envolvido nas eleições de 2026, mesmo estando barrado pela Justiça Eleitoral. “Eleição em Jair Bolsonaro é a negação da democracia”, provocou, reforçando seu discurso de vitimização. Ele também comparou nomes de seu governo com figuras da atual gestão de Lula: “Dá para comparar Paulo Guedes com Haddad? Renan Filho com Tarcísio? Dá para comparar a Janja com a Michelle?”, questionou ao público.
PF: Abin monitorou ilegalmente adversários de Bolsonaro
A Polícia Federal concluiu e enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito que apura a utilização da Abin para monitorar ilegalmente adversários políticos durante os anos de 2019 a 2021. O caso aponta o uso do software de espionagem israelense First Mile, adquirido ainda no governo Temer, para rastrear localização de alvos por meio de dados de torres de telefonia. Além de Bolsonaro, foram indiciados o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin; o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente; o atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa; e outras 31 pessoas.
Especulações de chapa Tarcísio-Michelle
O evento em São Paulo ocorre em meio ao aumento das articulações sobre o futuro político do grupo bolsonarista para 2026. Aliados de Bolsonaro têm discutido uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice. A composição seria vista como uma forma de manter o apoio da base conservadora e, ao mesmo tempo, garantir que, se eleito, Tarcísio possa conceder um indulto a Bolsonaro em caso de condenação.
Segundo relatos colhidos pelo Metrópoles, interlocutores próximos ao governador paulista afirmam que ele é “extremamente leal” ao ex-presidente e que, se for candidato, “fará 100% do que Bolsonaro pedir”. Apesar das especulações, Tarcísio tem reafirmado publicamente que pretende disputar a reeleição ao governo de São Paulo em 2026 e que o seu candidato à Presidência continua sendo Jair Bolsonaro.





