PF suspeita que Carlos Bolsonaro queria informações sobre investigação da suposta interferência da Polícia Rodoviária nas eleições

Em novembro de 2022, Luciano Almeida, assessora de Carlos, enviou mensagem a Ramagem pedindo que ele obtivesse informações de inquéritos da PF

A Polícia Federal quer saber se o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) estava interessado em obter informações da investigação sobre a suposta interferência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas eleições de 2022, para dificultar o acesso de eleitores aos locais de votação na Região Nordeste, onde as pesquisas indicavam larga margem de vantagem para o então candidato Lula. A suspeita da PF parte do pedido feita por uma assessora de Carlos ao deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que no governo Bolsonaro dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Em novembro de 2022, Luciano Almeida, assessora de Carlos, enviou mensagem a Ramagem pedindo que ele obtivesse informações de inquéritos da PF. “Estou precisando de uma ajuda. Dra. Isabela Muniz Ferreira — Delegacia da PF Inquéritos Especiais. Inquéritos: 73.630 / 73.637 (Envolvendo PR e 3 filhos)”, escreveu a auxiliar do vereador do Rio.

Foi justamente nesse mês que a Polícia Federal abriu inquérito para apurar se a cúpula da PRF participou de uma trama para evitar o trânsito de eleitores no segundo turno das eleições presidenciais. E a delegada federal Isabela Muniz Ferreira era a responsável pela apuração do caso. Ela comandava a área de Inquéritos Especiais na Superintendência da PF no Distrito Federal.

Carlos compareceu nesta terça-feira (30) à Polícia Federal no Rio, onde ficou menos de uma hora.

Procurada, a delegada afirmou que a área de inteligência da PF, que hoje atua na investigação da PRF, vai auditar os inquéritos citados nas mensagens para saber como essas informações vazaram. “Adianto que os números não correspondem às investigações. O fato de terem citado meu nome não me compromete como presidente do IPL (inquérito). Inclusive, os trabalhos foram feitos junto com a área de inteligência da PF”, disse a delegada.

A mensagem recebida por Ramagem foi obtida pela PF por meio de uma quebra de sigilo autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A medida possibilitou aos investigadores terem acesso aos arquivos do celular de Ramagem salvos na nuvem. O material está sendo periciado — e, segundo o inquérito, revela indícios da atuação de um “núcleo político” no escândalo de espionagem da Abin.

Segundo a PF, esse “núcleo político”, do qual Carlos fazia parte, “se valia de Ramagem para obtenção de informações sigilosas e/ou ações ainda não totalmente esclarecidas”.

Com informações de O Globo

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