A passagem da deputada Carla Machado pelo PT pode até ser curta, mas ao menos a lição de casa ela aprendeu. Chamando o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), de “companheiro”, ela confirmou o convite para ingressar no União Brasil, mas argumenta que isso não se concretizou.
No entanto, negou que esteja forçando uma saída do PT para disputar a prefeitura de Campos pela legenda que Bacellar também ingressará, agora que foi oficialmente liberado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para se desfiliar do PL.
“Na verdade, não recebi um convite. Inclusive eu não votei nele para presidente, mas se a eleição fosse hoje eu votaria pela condução do parlamento, de forma democrática, respeitosa. Eu me abstive na ocasião. Hoje, é um grande companheiro”, derrama-se.
Segundo a deputada, a insinuação para mudança teria acontecido durante uma reunião entre ela, Bacellar e a prefeita de São João da Barra, Carla Caputi. “Nesse encontro, se falou dessa possibilidade do convite, que ele demonstrou a satisfação, mas só”, garantiu.
Só que a “satisfação” pode dar liga. De malas prontas, Bacellar deve começar acelerar a formatação das candidaturas majoritárias pelo novo partido. Por sua vez, o que era velado no PT acabou sendo externado pelo deputado federal e vice-presidente Nacional da sigla, Washington Quaquá, que declarou que, caso ela se desfilie, o partido reivindicará o mandato junto ao TRE.
Ainda que se mostre evasiva ou faça ar de surpresa quando se fala no reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Jefferson Manhães – nome do PT para disputar a prefeitura de Campos – Carla sai pela tangente dizendo que ainda tem tempo para pensar.
Ela atribuiu o que chamou de “desinformações” dos adversários políticos as especulações com o seu nome, insinuando que eles já estariam com receio da sua candidatura. “Meu nome tem sido realmente ventilado para uma candidatura à prefeitura de Campos, até porque nas pesquisas a gente aparece bem colocada”, revela, sem dar os dados. Mas conta que retornou com o domicílio eleitoral para a cidade, “local onde nasceu e passou sua juventude”.
“Fui para São João da Barra com 18 anos para trabalhar na área de educação da prefeitura. Lá, fui vereadora, secretária e prefeita por quatro vezes. Depois de 40 anos me aposentei como servidora e coloquei que ajudaria de forma ativa no processo eleitoral de Campos”, disse, completando:
“É minha cidade natal e é um direito que me assiste. De lá para cá, só ouço especulações. Na realidade, existe um temor, e aí os adversários utilizam de várias artimanhas. Em momento algum, falei de sair ou permanecer em qualquer partido, ou ingressar em qualquer outro”, comenta, dizendo que não faria julgamento de valor sobre o voto favorável à homenagem a Michele Bolsonaro, mesmo contrariando a orientação da bancada.
Na Alerj, quem se dispôs a falar confirmou que de fato ela vem se movimentando para sair, o que está causando grande irritação no diretório regional. “Ela foi acolhida pela legenda para disputar uma vaga na Alerj. Ninguém conseguiu entender ainda o motivo da sua insatisfação e, por consequência, a saída para disputar a prefeitura de Campos, pelo União Brasil”, disse.





