Campanha de Lula pede ao TSE abertura simultânea de sigilos e cobra divulgação antes da eleição

Petição apresentada nesta quinta-feira (22) aceita condições de Flávio Bolsonaro e pede transparência dos dados antes do segundo turno; aliados questionam exclusão da Alcazar Holdings

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A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quinta-feira (22), uma petição para autorizar a abertura total e simultânea dos sigilos dos dois candidatos à Presidência da República. A iniciativa busca garantir que as informações sejam divulgadas em uma plataforma de acesso público antes da votação de domingo (25), quando Lula enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O documento formaliza a concordância da campanha petista com as condições apresentadas pelo adversário e solicita rapidez na análise do pedido. A coordenação defende que a divulgação ocorra de maneira simultânea, para que os eleitores tenham acesso aos dados dos dois candidatos antes de comparecerem às urnas.

A petição foi apresentada por Camilo Santana e Edinho Silva, integrantes da coordenação eleitoral, e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Durante a entrega, os representantes da campanha também questionaram a exclusão da empresa Alcazar Holdings das condições propostas por Flávio.

Campanha cobra rapidez do Judiciário

Guilherme Boulos afirmou que a iniciativa busca transformar em um compromisso formal o desafio lançado por Lula durante a campanha. Segundo o ministro, o senador demorou a responder à proposta e apresentou exigências adicionais sem estabelecer um prazo para a divulgação dos documentos.

“Quem propôs o desafio de abrir o sigilo bancário foi o presidente Lula. O Flávio Bolsonaro demorou quatro dias para dizer que aceitava. Só que ele disse que aceitava, não colocou prazo e ainda colocou condicionantes”, declarou Boulos.

O ministro explicou que a campanha decidiu formalizar a aceitação das condições para permitir que a Justiça Eleitoral encaminhe o procedimento antes do segundo turno.

Camilo Santana também defendeu que as autorizações sejam apresentadas imediatamente, argumentando que a transparência das informações financeiras deve ocorrer enquanto os eleitores ainda podem avaliar os documentos.

“É preciso que o sigilo e todas as autorizações sejam feitas hoje para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão e quem não é ladrão nesse país”, afirmou Santana.

Alcazar Holdings vira novo ponto de divergência

Além da cobrança pela abertura dos sigilos, a campanha petista questionou a retirada da Alcazar Holdings das condições apresentadas pelo candidato do PL.

Segundo os representantes de Lula, a empresa tem ligação com o advogado Willer Tomaz, citado em investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de desvios de recursos de aposentados. A referência à investigação não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas ou que exista condenação relacionada aos fatos mencionados.

Edinho Silva afirmou que a petição reforça a disposição do presidente de divulgar suas informações financeiras e criticou a divergência envolvendo a empresa.

“Essa petição é de autoria do presidente Lula, onde eles assinaram, discordaram em relação a essa empresa, que é uma empresa ligada ao Willer Tomaz, que está colocada sob suspeita não por nós, mas pelas autoridades que fiscalizam a movimentação financeira no Brasil”, declarou.

O dirigente sustentou que a divulgação dos documentos permitiria maior conhecimento sobre as relações financeiras dos candidatos e cobrou providências das instituições responsáveis.

“Agora cabe agilidade ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para que o povo brasileiro saiba quem é quem”, acrescentou.

Flávio aceita desafio, mas condiciona entrega

A nova iniciativa da campanha petista ocorre no mesmo dia em que a defesa de Flávio Bolsonaro anunciou que pretende entregar os documentos solicitados por Lula, mas somente depois de conferir se o presidente cumpriu integralmente o compromisso assumido. O portal Agenda do Poder publicou matéria a respeito.

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