O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, aproveitou uma agenda em Altamira, no Pará, no norte do país, para voltar a associar a camisa da Seleção Brasileira e a bandeira nacional ao bolsonarismo e acusar o presidente Lula (PT) de querer “roubar” os símbolos do país. A declaração foi registrada em vídeo publicado pelo parlamentar nas redes sociais nesta quinta-feira (11), dia da abertura da Copa do Mundo de 2026.
“Esse governo Lula é tão ladrão que até a bandeira do Brasil eles querem roubar. O PT largou a bandeira do Brasil na lata do lixo. O Bolsonaro foi lá, pegou e levantou essa bandeira, porque somos brasileiros com coração verde e amarelo”, afirmou o senador, que discursou diante de apoiadores vestindo camisas da Seleção, classificadas por ele como “camisa do Bolsonaro”.
A investida de Flávio ocorre duas semanas após o tema virar alvo de declarações do próprio chefe do Executivo. No fim de maio, durante um ato no Rio, Lula ironizou o uso das cores nacionais ao notar que o prefeito carioca, Eduardo Cavaliere (PSD), vestia uma jaqueta verde e amarela. Na ocasião, o presidente brincou dizendo que Cavaliere deveria usar um aviso de “não-bolsonarista” e defendeu abertamente que a militância de esquerda volte a usar os trajes típicos na Copa para que os símbolos do país não sejam associados exclusivamente a um único grupo político.
“Você precisa colocar um aviso ‘não bolsonarista’. Porque o verde… Não, essa é uma coisa que a esquerda vai ter que aprender a fazer. A gente vai ter que, nessa Copa do Mundo, andar de verde e amarelo para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista”, disse Lula na ocasião.
Desde as manifestações que marcaram a ascensão do bolsonarismo, a bandeira do Brasil e a camisa da Seleção passaram a ser amplamente associadas a atos e campanhas da direita.
Referência a viagem aos Estados Unidos
No mesmo vídeo, Flávio também voltou a associar o governo federal à pauta da segurança pública e fez referência à viagem que realizou recentemente aos Estados Unidos, onde se reuniu com autoridades americanas para defender o enquadramento do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
“Enquanto Lula vai para os Estados Unidos fazer lobby a favor de traficante e terrorista, nós fomos para lá pedir que fossem declarados terroristas”, afirmou o senador.
A declaração ocorre dias após o governo americano anunciar a inclusão das duas maiores facções criminosas do país na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). A medida foi oficializada pelo Departamento de Estado dos EUA dois dias depois de uma agenda de Flávio em Washington, onde o parlamentar se reuniu com integrantes do governo americano, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio.
O senador tem tratado a decisão como um trunfo político para sua pré-campanha. O governo Lula, por sua vez, já manifestou posição contrária ao enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas, argumentando que a legislação brasileira trata esses grupos como organizações criminosas e não como entidades com motivação política ou ideológica.






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