Camelôs voltam a protestar contra o Tolerância Zero e pedem diálogo; vídeo

Manifestação na Escadaria Selarón também pediu criação de políticas públicas conciliativas após a ampliação da fiscalização para ruas de acesso à orla da Zona Sul

Trabalhadores ambulantes realizaram um novo protesto contra o programa Tolerância Zero, na manhã desta terça-feira (4), na Escadaria Selarón, na Lapa, região central do Rio. O ato acontece um dia após a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado anunciarem a terceira fase da operação, que amplia a fiscalização para as ruas de acesso às praias da Zona Sul.

Organizada pelo Movimento Unido dos Camelôs (Muca), a manifestação pediu a abertura de diálogo com a prefeitura e a criação de políticas públicas que conciliem o ordenamento urbano com o direito ao trabalho. Segundo o movimento, muitos ambulantes estão impedidos de trabalhar desde o início das ações, em 6 de julho.

Os manifestantes se concentraram na base da Escadaria Selarón, onde entoaram palavras de ordem. Também exibiram cartazes com mensagens como “Camelô é trabalhador”, “Somos patrimônio cultural imaterial do Rio”, “Garantia de retorno já”, “Sem artesãos a escadaria perde sua alma” e “Arte não é crime”.

Procurada, a Prefeitura do Rio não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto. Assista ao vídeo:

Ampliação do Tolerância Zero

A terceira fase do programa começa nesta quarta-feira (5) e estende a fiscalização para a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Avenida Rainha Elizabeth, Rua Prudente de Moraes e Avenida General San Martin.

Segundo a prefeitura, o objetivo é combater a exploração irregular do espaço público e enfraquecer a logística que abastece o comércio ilegal na orla.

Como funciona o programa

O Tolerância Zero foi lançado em 16 de julho com ações no calçadão da Zona Sul para impedir a atuação de ambulantes sem autorização.

No primeiro dia de operação, foram abordados 88 ambulantes. As equipes apreenderam cinco triciclos, 11 carrocinhas, três veículos utilizados como depósitos irregulares, além de bebidas e alimentos sem comprovação de origem. Também foi realizada a conferência das licenças dos ambulantes autorizados.

Na segunda etapa, a prefeitura concentrou as ações no fechamento de depósitos clandestinos que abasteciam o comércio irregular. Até o momento, cinco locais foram interditados — três em Copacabana e dois no Leme —, com potencial de movimentar cerca de R$ 655 mil por mês, segundo o município.

O programa conta com patrulhamento permanente, fiscalização integrada e monitoramento por drones, além de planejamento por ciclos operacionais e avaliação contínua dos resultados.

Série de protestos

Esta é a quarta manifestação organizada pelos ambulantes desde o lançamento do programa.

Em 8 de julho, trabalhadores protestaram em frente à Prefeitura do Rio, e o ato terminou após a Polícia Militar dispersar os manifestantes com spray de pimenta.

No dia 15 de julho, um novo protesto foi realizado em frente ao Copacabana Palace. Três dias depois, outro ato reuniu ambulantes em Ipanema contra as medidas adotadas pelo município.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo