Câmara do Rio faz minuto de silêncio por mulheres mortas em ataque ao Cefet; irmã de uma das vítimas esteve no plenário

Homenagem foi proposta por Monica Benício, que criticou a violência contra mulheres e lembrou que o ataque foi cometido por ex-servidor do Cefet, que era CAC e tinha arma registrada

A Câmara do Rio prestou, quinta-feira (4), um minuto de silêncio em homenagem às duas funcionárias mortas no ataque ao Cefet Maracanã, na última sexta-feira (28). A diretora pedagógica Allane de Souza Pedrotti Matos, de 41 anos, e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, 40, foram assassinadas a tiros por João Antônio Miranda Tello Ramos, ex-servidor da instituição, que tirou a própria vida em seguida. A irmã de Allane, Alline Pedrotti, acompanhou a sessão no plenário.

A homenagem foi proposta por Monica Benício (PSOL), que subiu à tribuna para criticar os casos de violência contra mulheres no estado. Ela citou dados do Observatório do Feminicídio — plataforma do governo estadual — que registrou mais de 42 mil ocorrências apenas neste ano. Durante o discurso, a vereadora também criticou a defesa da flexibilização do porte de armas.

“O feminicídio não começa no dia da execução, mas na primeira infância, quando os meninos são ensinados a tratar mulheres como objetos. Nossas vidas importam”, afirmou a parlamentar, viúva de Marielle Franco.

Após o minuto de silêncio, Paulo Messina (PL), na presidência dos trabalhos, prestou solidariedade à irmã de Allane, em nome da Casa, citando o caso de feminicídio. “A vocês, toda a nossa solidariedade. Força à família”, declarou.

Atirador era CAC e perseguia colega

Segundo as investigações, João Antônio usou uma pistola Glock calibre .380 — registrada em seu nome, por ser CAC, categoria que reúne colecionadores, atiradores desportivos e caçadores. Ele trabalhava no Cefet e tinha históricos de conflitos com Allane, chegando a persegui-la antes do crime, de acordo com relatos de colegas.

O servidor havia sido afastado por 120 dias entre setembro de 2024 e janeiro de 2025 por medidas administrativas internas, e recusou todas as propostas de realocação feitas pela instituição. Em abril deste ano, foi transferido para outra área, em que estava lotado até o dia do ataque. Uma perícia psiquiátrica externa havia autorizado seu retorno às atividades.

Relembre o caso

De acordo com os depoimentos colhidos pela polícia, João chegou ao Cefet pela manhã e se comportou normalmente. À tarde, entrou na sala da Diretoria de Ensino e abriu fogo contra as duas mulheres. Allane foi atingida na cabeça e no ombro; Layse, na cabeça e no tórax. Ambas foram socorridas ao Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiram.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) conduz as investigações. O Cefet decretou luto oficial e suspendeu as atividades presenciais por uma semana.

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