Calouros da Unesp entram em coma alcoólico e são internados após trote em festa no interior de SP

Polícia investiga suspeita de lesão corporal e coação para consumo de álcool

Sete calouros da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Jaboticabal, precisaram de atendimento médico na noite de domingo, 25 de maio, após apresentarem sinais de coma alcoólico em uma festa com trote universitário. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde de Jaboticabal e foi inicialmente reportada pelo jornal Estadão.

Dois dos estudantes foram internados em estado grave e entubados. Um deles recebeu alta na noite desta segunda-feira, 26, enquanto o outro segue em observação, mas com quadro estável, com previsão de alta para esta terça-feira, 27. Os demais cinco jovens receberam atendimento, foram medicados e liberados após avaliação clínica. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Jaboticabal como possível lesão corporal.

Segundo a Secretaria de Saúde, os estudantes participavam de um evento que incluiu a ingestão de bebidas alcoólicas em quantidade excessiva, além de provas como corte de cabelo e pinturas no corpo. A festa ocorrida no fim de semana é um trote preparatório para a tradicional “festa dos 100 dias” dos universitários da cidade, evento que celebra a proximidade da formatura. O acesso à festa do trote exigia o consumo de bebidas alcoólicas fortes, como cachaça, para que os participantes recebessem uma pulseira que liberava a entrada.

Chamadas nas redes sociais divulgavam o evento com mensagens do tipo “portão aberto – tragam suas bebidas”, indicando que os jovens deveriam levar álcool para o consumo. A prefeitura local informou que o evento do trote não possuía alvará de funcionamento, e que o pedido de alvará para a festa dos 100 dias foi negado após o ocorrido.

A Polícia Civil informou que investiga denúncias feitas por familiares de que os estudantes foram coagidos a ingerir bebidas alcoólicas, o que pode caracterizar crime. Laudos periciais já foram solicitados para apurar se a bebida consumida pelos alunos poderia ter sido adulterada ou misturada com outras substâncias. Até o momento, não há informações oficiais sobre os responsáveis pela organização da festa.

Em nota, a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, onde os jovens estudam, manifestou “preocupação e atenção diante da gravidade dos fatos” e afirmou que iniciou um procedimento preliminar para apurar os acontecimentos e identificar eventuais responsabilidades de forma criteriosa e responsável.

Os organizadores da tradicional festa dos 100 dias comunicaram nas redes sociais o adiamento do evento que estava previsto para a noite desta segunda-feira (26), após o incidente durante o trote.

Casos como esse reforçam debates sobre os limites e os perigos dos trotes universitários, que frequentemente envolvem práticas abusivas de consumo de álcool, ameaçando a saúde e a segurança dos jovens. Para especialistas, é necessário repensar essas tradições para evitar tragédias e garantir ambientes mais seguros para os estudantes.

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