Delegado que investiga atos obscenos na Unisa diz que mesmo sendo trote responsáveis responderão criminalmente

O delegado da Delegacia de Investigações Gerais de São Carlos (SP), João Fernando Baptista, afirmou nesta sexta-feira (22) que a polícia não descarta a hipótese de que os alunos de medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa) filmados em cenas de nudismo durante evento esportivo universitário estivessem submetidos a um trote realizado por estudantes veteranos. Ainda assim,…

O delegado da Delegacia de Investigações Gerais de São Carlos (SP), João Fernando Baptista, afirmou nesta sexta-feira (22) que a polícia não descarta a hipótese de que os alunos de medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa) filmados em cenas de nudismo durante evento esportivo universitário estivessem submetidos a um trote realizado por estudantes veteranos. Ainda assim, diz o delegado, mesmo que a informação se confirme, os alunos flagrados fazendo o ato obsceno não deixariam de responder criminalmente pelo episódio:

— Temos o conhecimento de como funciona o mundo acadêmico. Essa questão do trote é um ponto a ser investigado, se houve ou não. Estamos desde o começo analisando isso e, caso confirmado, as pessoas que praticaram o trote também podem ser responsabilizadas, a depender do tipo de coação que exerceram sobre os calouros. Mas o Direito Penal só exime a pessoa que recebeu coação quando é algo irresistível, como se alguém colocasse uma arma na cabeça do outro e o obrigasse a fazer algo. Não era esse o caso. Era só os calouros dizerem ‘não’ — declarou o delegado.

A Polícia Civil já ouviu preliminarmente algumas testemunhas e agora está analisando vídeos da competição esportiva CaloMed, realizada em São Carlos, entre 28 de abril e 1 de maio. As gravações e o ginásio onde os jogos ocorreram serão submetidos à perícia técnica. Em um dos vídeos que circularam, jovens são vistos em um ato que foi interpretado como simulação de masturbação coletiva.

A partir da semana que vem, os investigadores virão à capital paulista para ouvir as alunas que participavam do jogo de vôlei no momento em que os alunos de Medicina da Unisa foram flagrados em cenas de nudez. Também serão ouvidos integrantes das atléticas que organizaram os jogos antes do depoimento dos 15 estudantes que já foram identificados participando do ato.

De acordo com o delegado de São Carlos, mais alunos poderão vir a responder por ato obsceno, crime que tem pena estipulada em três meses a um ano de detenção, ou multa. Além dos estudantes da Unisa, também chegaram à polícia relatos de que alunos de Medicina da Santa Casa, do Centro Universitário São Camilo e da Unifesp praticaram ações semelhantes:

— Constatamos que as cenas de nudismo não foram só por parte dos alunos da Unisa, mas também de outras universidades. A análise das imagens permitirá identificar mais envolvidos. Não sabemos ainda com o que vamos nos deparar, então mais crimes ainda podem ser identificados. Vamos analisar todos os fatos antes de determinar quais indivíduos praticaram cada ação.

Todos os 15 alunos da Unisa que foram expulsos da universidade e que são investigados no inquérito da Polícia Civil são homens, mas estudantes do sexo feminino também poderão ser chamadas a dar explicações. Alguns vídeos que circularam na última semana nas redes sociais mostram moças e rapazes baixando os shorts durante a competição universitária.

O jornal mostrou nesta sexta-feira que episódios de misoginia são rotineiros no curso de Medicina da Unisa. Calouros e calouras dizem ser coagidos a aceitar uma espécie de código de conduta assim que entram na faculdade. As regras são especialmente restritas às mulheres, para que pareçam “menos sexualmente atraentes possível”, segundo um relato. A orientação dos veteranos é que elas nunca podem estar de cabelo solto, decote, acessórios, esmalte, saia ou shorts. Devem usar coque alto, calça comprida, blusa que cubra o corpo e sapato fechado. Os homens precisam ter o cabelo raspado.

Acadêmicos do curso de Medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), em São Paulo, causaram revolta nas redes sociais após terem sido flagrados em cenas de nudismo durante uma partida de vôlei feminino na CaloMed, competição esportiva entre universidades realizada em abril deste ano. As imagens do episódio, no entanto, só começaram a circular ao longo do último fim de semana.

O Ministério das Mulheres e a União Nacional dos Estudantes (UNE) repudiaram o episódio. “Romper séculos de uma cultura misógina é uma tarefa constante que exige um olhar atento para todos os tipos de violências de gênero. Atitudes como a dos alunos de Medicina, da Unisa, jamais podem ser normalizadas”, disse a conta oficial do Ministério das Mulheres no X (antigo Twitter).

Nas imagens que repercutiram, mais de uma dezena de homens aparecem correndo na quadra com as calças abaixadas. Eles simulam uma “volta olímpica” enquanto tocam suas partes íntimas. Já em outro vídeo, é possível ver a presença dos estudantes em uma arquibancada assistindo ao jogo feminino e em um ato que aparenta ser uma simulação de masturbação.

O Ministério da Educação (MEC) notificou a faculdade “para apurar quais as providências tomadas pela Unisa em relação aos fatos ocorridos, sob pena de abertura de procedimento de supervisão e adoção de medidas disciplinares”.

Com informações de O Globo.

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