Símbolo do carnaval de rua do Rio de Janeiro desde os anos 1960, o Cacique de Ramos se prepara para viver, em 2026, o primeiro carnaval sem a presença de seu fundador, Bira Presidente, falecido em junho. Para manter viva a história e a energia do bloco, a família do artista assumiu a liderança e prepara uma série de homenagens emocionantes para o cortejo.
As filhas de Bira, Karla Marcelly e Christian Kelly, foram nomeadas, respectivamente, presidente e diretora-geral do Cacique de Ramos. O marido de Christian, Márcio Nascimento, será o vice-presidente. Todos já atuavam na organização do bloco, que reúne cerca de 5 mil integrantes e leva multidões ao Centro do Rio durante os três dias de desfile.
“O que ele ensinou, a gente vai levar para o Cacique de Ramos, para as alas, para a bateria, para o nosso povo que vai lá assistir, porque todos os três dias ficam lotados. Vamos dar o nosso melhor, como sempre o meu pai deu. Acho que vai ser com ainda mais paixão, apesar da dor da ausência”, disse Karla.
Desfile ganha o nome de Bira Presidente
Em 2026, o circuito de desfiles na Avenida Chile levará oficialmente o nome de “Circuito Bira Presidente”, em homenagem ao fundador. A agremiação prepara também uma estátua de Bira para ser exibida nas alegorias e o lançamento de uma música inédita dedicada ao artista, que será apresentada ao lado de clássicos como “Coisinha do Pai”, “Caciqueando” e “Água na Boca”.
“Vamos trazer todas as alas, o bloco em si, as camisas, tudo que vai ser apresentado no carnaval vai ser em homenagem ao Presidente, porque ele é o criador de tudo desde 1961”, afirmou Márcio Nascimento. O enredo do desfile de 2026 será “Bira Presidente: o show tem que continuar”.
Legado de devoção ao samba
Fundado em 1961, o Cacique de Ramos nasceu como um bloco familiar em Ramos e, a partir dos anos 1970, passou a desfilar no Centro do Rio, em uma rivalidade histórica com o Bafo da Onça, do Catumbi. Em 2025, por conta de problemas de saúde, Bira não pôde acompanhar o carnaval pela primeira vez. Ainda assim, até 2024, ele fazia questão de participar dos cortejos e acompanhar pessoalmente cada detalhe da organização.
“Ficava muito agitado, andava o bloco todo, participava de tudo desde a corda que faz a separação. Se preocupava com tudo: com a roupa, a bateria, as alas”, relembrou Christian. “Não sei como ele conseguia, porque eram muitos componentes e ele se preocupava com todos.”
Márcio recorda um episódio emblemático: “Houve uma confusão com um grupo de bate-bolas invadindo o desfile. Foi o Bira que foi conversar com eles, delimitou uma área onde poderiam ficar e foi obedecido. Ele era muito respeitado.”
Memórias de família e emoção no desfile
As filhas guardam lembranças de toda uma vida dedicada ao samba. “A gente desfilava e se divertia. Quando terminava, ele colocava a gente na Kombi para ir embora, por causa do atrito com o Bafo. A última lembrança marcante que eu tenho foi com minha neta fantasiada, desfilando com ele”, contou Karla.
Christian também lembra da emoção do pai com a bateria: “Eram muito fortes os discursos que ele dava. Ele agradecia todo o povo, todos os cariocas, turistas e artistas. E aí, quando a bateria começava, era arrepio do começo ao fim. Parecia um coração batendo fora do peito.”
Com sede na Rua Uranus, em Ramos, o Cacique de Ramos continua promovendo eventos culturais durante todo o ano, atraindo visitantes que buscam conhecer o berço do grupo Fundo de Quintal. Em 2026, o bloco promete um carnaval repleto de emoção, saudade e samba, celebrando a vida e o legado de Bira Presidente.






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