O samba está de luto. Morreu neste sábado (14), aos 88 anos, o percussionista, cantor e compositor Bira Presidente, um dos maiores nomes da música popular brasileira e fundador do bloco Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal. As informações são do G1. Em sinal de respeito e reverência, a quadra do Cacique se transformou em um espaço de memória, comoção e homenagem ao legado do artista.
A tradicional feijoada com samba do Cacique foi cancelada, mas deu lugar a uma roda acústica em clima de reverência. Antes mesmo do início da música, uma salva de palmas emocionada marcou o início do tributo. Admiradores, moradores de Ramos e sambistas históricos estiveram presentes, reforçando o papel de Bira como figura central da cultura suburbana e negra do Rio de Janeiro.
“Perdemos o nosso cacique maior, a nossa maior referência. Um ser humano que mudou tudo, mudou a vida de várias pessoas, inclusive a minha”, declarou Chula, mestre de bateria do Cacique de Ramos. Ele destacou a missão deixada por Bira: “Somos produtores de felicidade, e vamos seguir com essa missão”.
Aos 61 anos, o estivador Francisco Coutinho também foi ao local prestar suas últimas homenagens: “O Bira era um ícone da gente, principalmente para mim, que fui criado aqui. Eu vi o nascimento do Fundo de Quintal, ele construiu esse legado”, disse, emocionado.
Nascido em 1937 no bairro de Ramos, zona norte do Rio, Ubirajara Félix do Nascimento – o Bira Presidente – cresceu cercado pelo samba e pelo choro. Desde a infância, frequentava rodas com lendas como Pixinguinha e João da Baiana. Aos sete anos, foi “batizado no samba” pela Mangueira, escola que sempre considerou sua de coração.
Em 1961, Bira fundou o Cacique de Ramos, bloco que se tornaria um dos mais importantes centros culturais do samba. Foi ali que, no fim dos anos 1970, nasceu o revolucionário grupo Fundo de Quintal, que modernizou o samba com instrumentos como o tantã e o banjo. Bira foi peça-chave dessa transformação, sempre com seu inconfundível pandeiro e o passo do “miudinho”, que encantava o público.
O velório de Bira Presidente está marcado para esta segunda-feira (16), das 14h às 16h30, no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. O samba perde um de seus mestres — mas o legado do “cacique maior” permanece vivo em cada roda, em cada batida e em cada verso do Fundo de Quintal.
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