Brics encerra cúpula com declaração final sobre saúde global e combate à crise climática

Documento defende cessar-fogo em Gaza, alerta para riscos nucleares e cobra financiamento climático de países ricos

A Cúpula do Brics chega ao fim nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro, após um fim de semana marcado por discursos contundentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e debates sobre os principais desafios globais — como conflitos armados, mudanças climáticas, inteligência artificial e governança global. O evento reuniu chefes de Estado e representantes de 28 países.

Entre os temas centrais da declaração final, que deve ser concluída hoje, estão a saúde global e o combate à crise climática. As discussões seguem após uma série de encontros bilaterais, sessões plenárias e a divulgação de documentos estratégicos no domingo (6).

Apelos por paz e crítica ao unilateralismo

Na abertura da Cúpula, realizada no Museu de Arte Moderna, Lula alertou para o risco de retrocessos na ordem internacional, mencionando o temor de uma catástrofe nuclear e o enfraquecimento dos regimes multilaterais. “Com o multilateralismo sob ataque, nossa autonomia está novamente em xeque”, disse.

Em discurso diante do chanceler russo, Sergey Lavrov, o presidente brasileiro defendeu negociações de paz na Ucrânia e destacou que “é sempre mais fácil investir na guerra do que na paz”. Ele também condenou violações à integridade territorial de Estados e alertou para o risco crescente da proliferação de armas atômicas.

A declaração final do bloco, de 38 páginas e mais de 120 parágrafos, endossa um cessar-fogo imediato e incondicional na Faixa de Gaza e exige a retirada completa das forças israelenses dos territórios ocupados. Já em relação à guerra na Ucrânia, o texto adota um tom mais diplomático, sem condenar diretamente a Rússia — fundadora do Brics — e pede apenas por um “acordo de paz sustentável”.

Cooperação com foco em clima, saúde e inovação

A agenda do Brics também incluiu temas como financiamento climático, transição energética, reforma da governança econômica global e o papel da inteligência artificial. Em documento divulgado no domingo, o grupo defendeu a regulação internacional da IA e alertou para os riscos da desinformação e do uso da tecnologia para incitar agitação social.

Outro ponto central foi a cobrança aos países ricos por verbas previsíveis e justas para o combate às mudanças climáticas, com críticas diretas ao protecionismo disfarçado de preocupações ambientais — prática associada a medidas do governo Trump, embora não citado nominalmente.

Lula também aproveitou o encontro para reforçar o papel do Brasil na transição climática global. “O Brics segue como fiador de um futuro promissor”, afirmou. O presidente defendeu ainda a reforma das instituições de Bretton Woods, como FMI e Banco Mundial.

Reuniões bilaterais e retomada de exportações

Antes da plenária oficial, Lula realizou seis reuniões bilaterais no Forte de Copacabana, incluindo um encontro com o primeiro-ministro da China, Li Qiang. O presidente brasileiro pediu a reabertura do mercado chinês ao frango nacional, após embargo motivado por um surto de gripe aviária. Em resposta, Li afirmou que os dois países devem aprofundar a cooperação em áreas como economia digital, inovação e tecnologias aeroespaciais.

Participaram do evento líderes da África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes, Indonésia e Índia. Os presidentes da China, Rússia e Irã não vieram ao Brasil, mas enviaram representantes de alto escalão. Vladimir Putin participou por videoconferência.

Em relação ao recente confronto entre Irã e Israel, o documento do Brics “condena os ataques militares contra a República Islâmica do Irã” e os classifica como violação do direito internacional, sem citar nominalmente os autores.

Próximos passos

Nesta segunda-feira, os líderes do Brics devem se reunir para a última sessão plenária, com foco em meio ambiente, COP30 e saúde global. Uma nova “foto de família” com os chefes de Estado está prevista. Até o fim do dia, declarações finais específicas sobre clima e saúde devem ser divulgadas oficialmente.

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