O brasileiro Fernando Sabag Montiel foi condenado nesta quarta-feira (8) a 10 anos de prisão na Argentina por tentar assassinar a ex-vice-presidente Cristina Kirchner em setembro de 2022.
A pena inclui dez anos pelo atentado — que não chegou a se concretizar devido à falha da arma usada — e outros quatro anos e três meses por posse e distribuição de material de abuso sexual infantil, condenação já existente. No total, ele ficarão preso por 14 anos. A decisão foi proferida por um tribunal de Buenos Aires e ainda cabe recurso.
Atentado frustrado
Em 1º de setembro de 2022, Montiel tentou atirar contra a cabeça de Cristina Kirchner quando ela acenava para apoiadores em frente à sua casa, no bairro da Recoleta, em Buenos Aires. A arma, uma pistola Bersa calibre .32, falhou no momento do disparo, e a ex-vice-presidente não foi ferida.
Imagens amplamente divulgadas mostraram o brasileiro se aproximando da então vice e apertando o gatilho a poucos centímetros de seu rosto. Ele foi imobilizado imediatamente por agentes da Polícia Federal argentina, responsáveis pela segurança de Cristina, que na ocasião mantinha uma equipe com cerca de 100 seguranças.
Julgamento e defesa
Durante a audiência, segundo o jornal argentino La Nación, Montiel fez um discurso confuso, alegando ter sido vítima de uma armação. “Basicamente, o que quero esclarecer é que todo esse caso foi fabricado. Plantaram uma arma, e Carrizo quer trocar de advogado de defesa quando foi [Gastón] Marano quem plantou a arma”, declarou.
O brasileiro também comparou o episódio ao assassinato do promotor argentino Alberto Nisman, ocorrido em 2015. O tribunal rejeitou o pedido da defesa para que Montiel fosse considerado inimputável.
Outros réus e sentenças
A namorada de Montiel, Brenda Uliarte, de 26 anos, foi condenada a oito anos de prisão por participação necessária no atentado, segundo a sentença lida pela juíza. Já o terceiro acusado, Nicolás Carrizo foi absolvido.
Histórico e comportamento
Nascido em 1987 no Brasil, filho de mãe argentina e pai chileno, Montiel vive no país vizinho desde o início da década de 1990. Segundo a imprensa local, ele havia sido detido em 2021 por portar uma faca de 35 centímetros e recebeu apenas uma advertência.
Reportagens da BBC e de veículos argentinos apontam que o brasileiro mantinha tatuagens com símbolos nazistas e era ativo em grupos radicais nas redes sociais, entre eles comunidades de “comunismo satânico” e fóruns ligados ao discurso de ódio. Vizinhos o descreviam como uma pessoa “inconstante” e “propensa a dizer tolices”.
Prisão e repercussão
A tentativa de assassinato contra Cristina Kirchner gerou grande comoção na Argentina e foi amplamente interpretada como um ataque político à democracia. Após o episódio, a ex-vice-presidente seguiu acenando e distribuindo autógrafos ao público, sem se ferir.






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