Brasileira é morta em Portugal; filho de 15 anos confessa o crime e caso expõe histórico de violência familiar

Adolescente se apresentou à polícia na região de Lisboa e afirmou ter sofrido maus-tratos. Família era acompanhada por órgãos de proteção, e investigação apura as circunstâncias do homicídio.

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O filho de uma brasileira que morava em Portugal procurou a polícia e confessou ter matado a própria mãe. O caso ocorreu em Oeiras, na região metropolitana de Lisboa. As autoridades portuguesas investigam denúncias de violência dentro da família e acompanham a situação da filha mais nova da vítima, de apenas 4 anos. O rapaz que confessou o crime tem 15 anos.

Segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP), o adolescente relatou que discutiu com a mãe na noite anterior ao crime e, durante a madrugada, a matou por asfixia usando um golpe conhecido como “mata-leão”. A vítima foi identificada como Gabriela Barbosa, de 33 anos.

De acordo com a polícia, o crime aconteceu no apartamento onde a família vivia, na região de Algés. A irmã do adolescente, de 4 anos, estava no imóvel no momento do homicídio. A criança foi acolhida pelas autoridades portuguesas e permanece sob proteção.

As investigações apontam que o jovem permaneceu na residência com o corpo da mãe até a tarde do dia seguinte, quando decidiu procurar uma delegacia e confessar o que havia ocorrido.

Adolescente alegou histórico de agressões

Durante o depoimento, o adolescente afirmou que sofria violência física e psicológica praticada pela mãe. Ele também declarou que a irmã era alvo de ameaças frequentes e que já havia procurado autoridades portuguesas para denunciar a situação, apresentando registros que, segundo ele, comprovavam os episódios.

Em comunicado, a Polícia Judiciária informou que a principal linha de investigação considera a possibilidade de o crime estar relacionado a “eventuais maus-tratos físicos e psicológicos” sofridos pelos dois filhos.

Família já era acompanhada por órgãos de proteção

O caso já era conhecido pelos serviços de proteção à infância em Portugal. A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras acompanhava a família desde maio de 2024 devido à situação considerada de vulnerabilidade.

Segundo o órgão, havia medidas de acompanhamento e apoio aos pais em razão da instabilidade familiar.

Também consta nos registros policiais um histórico de violência doméstica envolvendo os pais das crianças. O pai do adolescente está preso preventivamente desde 2025 por agressões contra a esposa.

O que pode acontecer com o adolescente

Pela legislação portuguesa, menores de 16 anos não respondem criminalmente como adultos. Assim, o adolescente não pode ser condenado por homicídio nos moldes da Justiça criminal.

Ele foi encaminhado às autoridades competentes para avaliação de medidas tutelares educativas, que podem incluir internação em um centro educativo.

Menina permanece sob proteção

A filha mais nova da vítima segue sob os cuidados das autoridades portuguesas enquanto a situação familiar é analisada. Segundo a imprensa local, familiares brasileiros, entre eles a avó e uma tia da criança, viajaram para Portugal e pretendem solicitar a guarda da menina.

O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa informou que presta assistência à família da vítima, oferecendo orientações sobre os procedimentos relacionados ao registro do óbito, questões funerárias e apoio consular, além de acompanhar a situação da criança.

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