Brasil registra 95 celulares roubados ou furtados por hora; veja cidades com piores índices

Anuário da Segurança Pública mostra queda nos registros em 2025, mas capitais e regiões metropolitanas continuam concentrando os maiores índices do país

O Brasil registrou 792.284 roubos e furtos de celulares em 2025, o equivalente a uma média de 95 aparelhos subtraídos por hora. Os dados constam no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e revelam que, apesar da redução dos casos em relação ao ano anterior, o crime continua concentrado principalmente nas grandes cidades, especialmente nas capitais.

Segundo o levantamento, São Luís (MA) aparece como a cidade com a maior taxa de roubos e furtos de celulares por 100 mil habitantes. Em seguida estão Belém (PA) e São Paulo (SP). Entre os municípios com os maiores índices do país, 14 são capitais.

O Nordeste concentra oito cidades entre as primeiras colocadas do ranking, enquanto Norte e Sudeste aparecem com seis municípios cada.

O estudo também chama atenção para o peso da capital paulista nas estatísticas nacionais. Embora reúna cerca de 5,6% da população brasileira, São Paulo responde sozinha por 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados no país.

Veja lista das 10 cidades com maiores taxas de roubo e furto de celular por 100 mil habitantes:

PosiçãoCidadeUFTaxa por 100 mil habitantes
São LuísMA1.517,0
BelémPA1.487,0
São PauloSP1.390,0
SalvadorBA1.195,0
Lauro de FreitasBA1.144,5
Porto VelhoRO1.123,2
ManausAM1.107,1
OlindaPE1.060,3
AnanindeuaPA979,5
10ºTeresinaPI975,3

Número de ocorrências cai, mas ainda preocupa

Os dados mostram que houve redução de 7,7% no total de registros em comparação com 2024, quando foram contabilizadas 855.113 ocorrências. Na comparação com 2019, ano que registrou o maior número da série histórica, com 1.053.433 casos, a queda chega a 25%.

Apesar da melhora no cenário nacional, apenas duas unidades da federação registraram crescimento no número de ocorrências em 2025: Rio de Janeiro, com alta de 22,7%, e Paraíba, com aumento de 21,1%.

O levantamento também aponta uma mudança importante no perfil desse tipo de crime.

Dos 792.284 celulares levados por criminosos em 2025, 483.561 foram furtados, o equivalente a seis em cada dez casos. Os furtos apresentaram crescimento de 0,9% em relação ao ano anterior.

Já os roubos, que envolvem ameaça ou violência contra a vítima, totalizaram 308.723 ocorrências, queda expressiva de 18,6%.

Dias, horários e locais mais perigosos

O Anuário identifica diferenças significativas entre o comportamento dos furtos e dos roubos.

Os furtos acontecem principalmente nos finais de semana. Sábados e domingos concentram 34,5% das ocorrências.

Os roubos, por outro lado, ocorrem predominantemente durante os dias úteis, responsáveis por 73,1% dos casos, com maior incidência às sextas-feiras.

Também há diferenças em relação aos horários.

Os roubos apresentam dois períodos críticos: entre 5h e 6h da manhã e entre 18h e 23h, com pico às 20h.

Já os furtos ocorrem principalmente entre 10h e 12h e novamente entre 17h e 20h.

Segundo os especialistas Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, responsáveis pelo relatório, o padrão dos roubos mudou nos últimos anos, passando a se concentrar principalmente no período noturno.

“Como o roubo é um crime que exige interação entre o criminoso e a vítima, é de se supor que no período noturno seja mais simples para os assaltantes fugirem, e também que haja menos testemunhas”, afirma o estudo.

Os locais onde esses crimes ocorrem também variam.

Entre os roubos, 77,2% acontecem em vias públicas.

Nos furtos, quase metade das ocorrências (49,3%) também acontece nas ruas, enquanto 15,2% ocorrem em estabelecimentos comerciais e 6,1% no transporte público.

O perfil das vítimas também muda conforme o tipo de crime. Homens representam 59,8% das vítimas de roubo. Nos furtos, a distribuição é praticamente equilibrada: 50,3% das vítimas são homens e 49,7% são mulheres.

Mudança de estratégia dos criminosos

Para os pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crescimento proporcional dos furtos e a queda dos roubos refletem uma mudança na atuação das quadrilhas.

O relatório aponta que o furto oferece menor risco ao criminoso por dispensar o contato direto com a vítima e reduzir as chances de prisão em flagrante.

“Em muitos casos, como em transportes públicos ou locais com grande circulação de pessoas, a vítima só percebe o crime depois que ele aconteceu”, destaca o documento.

Os especialistas também avaliam que fatores como o aumento da vigilância por câmeras, o reforço do policiamento e mudanças no comportamento da população tornaram os roubos mais arriscados.

Além disso, o avanço das medidas de segurança dos smartphones alterou a dinâmica financeira desses crimes. Hoje, os criminosos obtêm maior lucro quando conseguem obrigar a vítima a desbloquear o aparelho e fornecer senhas bancárias. Nos furtos, em que normalmente não há contato com a vítima, os celulares costumam permanecer bloqueados, reduzindo seu valor para revenda ou desmanche.

Anuário reúne outros indicadores da segurança pública

Além dos dados sobre roubos e furtos de celulares, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública apresenta outros indicadores relevantes de 2025.

O levantamento aponta que o Brasil registrou o menor número de mortes violentas desde 2012, mas os feminicídios bateram recorde, com média de quatro mulheres assassinadas por dia.

Também houve aumento das mortes decorrentes de intervenção policial, crescimento de 25% nos registros relacionados ao abuso sexual infantil, alta superior a 60% nos casos de bullying e cyberbullying entre jovens e aumento de 6% da população prisional, que chegou a 964 mil pessoas.

O estudo ainda mostra que o país registrou média de quatro golpes por minuto em 2025, reforçando o avanço das modalidades de crimes patrimoniais e digitais.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em microdados dos registros policiais, informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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