Uma explosão seguida de incêndio em uma composição da Linha 12-Safira provocou o maior incidente desde que a concessionária Trivia Trens assumiu definitivamente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, em São Paulo. O episódio, registrado por volta das 6h desta quinta-feira (23), interrompeu o fornecimento de energia em parte da malha ferroviária, afetou três linhas metropolitanas e o Serviço Expresso Aeroporto, obrigou passageiros a deixarem os trens e caminharem pelos trilhos e provocou reflexos em toda a rede de transporte sobre trilhos da capital paulista.
Apesar da gravidade da ocorrência e do incêndio que deixou um dos vagões completamente carbonizado, não houve registro de feridos.
O incidente aconteceu apenas três dias após a concessionária assumir integralmente a operação das linhas que até então eram administradas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), ampliando a pressão sobre a empresa diante da sequência de falhas registradas desde o início da concessão.
Passageiros filmaram o momento em que uma explosão foi ouvida dentro da composição. Logo depois, chamas começaram a atingir a parte externa do trem, provocando pânico, correria e a interrupção imediata da viagem.
💡CAOS EM SP | Incêndio interrompe circulação, obriga passageiros a caminhar pelos trilhos e provoca superlotação.
— Agenda do Poder (@agendadopoder) July 23, 2026
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Falha elétrica afetou quatro serviços ferroviários
De acordo com a Trivia Trens, a explosão comprometeu o sistema elétrico responsável pela alimentação do trecho entre as estações Brás e Engenheiro Goulart.
A falha interrompeu simultaneamente a circulação das linhas 12-Safira e 13-Jade, afetou a operação da Linha 11-Coral e também suspendeu temporariamente o Serviço Expresso Aeroporto, que liga a capital ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A concessionária informou que equipes de manutenção foram mobilizadas imediatamente para identificar a origem da pane e reparar os danos.
“As equipes técnicas atuam no local para identificar a causa da ocorrência e realizar os reparos necessários, com o objetivo de restabelecer a circulação dos trens no menor tempo possível”, afirmou a empresa.
As imagens registradas no local mostram um dos vagões completamente atingido pelo fogo, tanto na parte interna quanto na estrutura externa da composição.
Passageiros caminham pelos trilhos após paralisação
Com o corte no fornecimento de energia, centenas de passageiros precisaram abandonar os trens e seguir a pé pelos trilhos até um local seguro.
Segundo a concessionária, o desembarque ocorreu de forma assistida na região da Estação Brás, acompanhado por equipes operacionais.
As cenas exibidas pela TV Globo mostraram longas filas de usuários caminhando pela via férrea durante o horário de pico da manhã, período em que milhares de pessoas utilizam as linhas para deslocamentos entre a Zona Leste, a região central da capital e municípios da Grande São Paulo.
Enquanto orientava os passageiros a acompanharem as informações pelos canais oficiais, o site da concessionária ainda não apresentava informações atualizadas sobre a extensão das falhas, conforme relatado pela reportagem.
Linhas operaram parcialmente e Paese foi acionado
Durante a ocorrência, a Linha 11-Coral passou a operar apenas entre Estudantes e Corinthians-Itaquera.
Já as linhas 12-Safira, 13-Jade e o Serviço Expresso Aeroporto permaneceram temporariamente interrompidos.
Ao todo, a paralisação afetou uma malha de 101,8 quilômetros e 32 estações. As três linhas transportam aproximadamente um milhão de passageiros por dia e representam um dos principais corredores ferroviários da Região Metropolitana de São Paulo.
Para tentar reduzir os impactos da interrupção, a concessionária acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese).
Vinte e um ônibus passaram a atender os passageiros entre Bresser-Mooca e a estação USP Leste.
Mesmo assim, a frota disponibilizada não foi suficiente para absorver toda a demanda, levando milhares de usuários a buscar alternativas no sistema metroviário.
Linha 3-Vermelha ficou sobrecarregada
Com a migração dos passageiros para o Metrô, a Linha 3-Vermelha registrou forte aumento na movimentação logo nas primeiras horas da manhã.
Para minimizar os efeitos da paralisação, o Metrô colocou dois trens extras em circulação e liberou, a partir das 6h, as integrações nas estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera.
A companhia também adotou manobras operacionais para ampliar a oferta de viagens e reduzir o tempo de espera nas plataformas mais movimentadas.
“Também estão sendo realizadas manobras intermediárias nas estações Tatuapé e Penha, ampliando a oferta de viagens nos trechos com maior concentração de passageiros. Outra medida adotada é o envio de trens vazios para as estações cujas plataformas apresentem maior lotação, proporcionando embarque mais rápido e reduzindo o tempo de espera. O Metrô também reforçou o efetivo de funcionários nas estações de transferência para orientar os passageiros e apoiar a operação ao longo do período de maior movimento”, disse a empresa.
Problemas se acumulam desde o início da concessão
A explosão desta quinta-feira ocorreu no terceiro dia consecutivo de falhas envolvendo as linhas administradas pela Trivia Trens.
Na quarta-feira (22), passageiros enfrentaram atrasos, plataformas lotadas e escadas rolantes fora de funcionamento, principalmente na Estação Brás.
Na Linha 12-Safira, uma ocorrência iniciada às 8h52 só foi solucionada durante a madrugada desta quinta-feira.
Às 19h36, a concessionária informou que os trens circulavam com velocidade reduzida entre Tatuapé e Engenheiro Goulart devido a uma falha em equipamento de via.
“Para minimizar o impacto, dois trens adicionais foram incluídos para atendimento dos passageiros.”
Poucas horas depois, às 21h53, a empresa afirmou que as equipes permaneciam em campo e que a operação não sofria impactos. Entretanto, durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã, uma nova falha comprometeu novamente as três linhas e o Expresso Aeroporto.
Nova operadora assumiu linhas nesta semana
A operação definitiva das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade começou oficialmente à meia-noite da última terça-feira (21).
Nos dois meses anteriores, a concessionária atuava em regime de operação assistida, período em que ainda contava com acompanhamento técnico da CPTM.
Com a mudança, a Trivia Trens passou a responder integralmente pela operação de 92 trens e pelo Serviço Expresso Aeroporto.
A empresa integra o grupo Comporte Participações, controlado pelo empresário Nenê Constantino, da família fundadora da companhia aérea Gol. O grupo também administra a Tic Trens, responsável pela Linha 7-Rubi.
Falhas cresceram durante a transição
Mesmo antes da transferência definitiva da operação, as ocorrências já apresentavam aumento, principalmente na Linha 11-Coral.
Levantamento da TV Globo e do g1 identificou ao menos 11 falhas entre junho e julho deste ano.
No primeiro semestre de 2026, a Linha 11 registrou 15 ocorrências, contra quatro no mesmo período de 2025, crescimento de 275%.
Na Linha 12-Safira foram contabilizadas nove falhas, frente a 11 registradas no ano anterior. Já a Linha 13-Jade manteve uma ocorrência em cada período.
Considerando toda a rede metroferroviária paulista, o número de falhas passou de 161 no primeiro semestre de 2025 para 205 no mesmo intervalo de 2026, aumento de aproximadamente 27%.
Concessão prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos
A Trivia Trens venceu o leilão das linhas em março de 2025, em concessão promovida pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O contrato, com duração de 25 anos, prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões para modernização da malha ferroviária, construção de oito novas estações, ampliação de 25,8 quilômetros da rede, reconstrução de quatro estações e incorporação de 15 novos trens à frota.
Ao comentar as falhas registradas desde o início da operação, a empresa informou ter promovido mais de 1.300 horas de capacitação para profissionais das áreas de atendimento, segurança, operação e manutenção, além de manter parte significativa do quadro formada por ex-funcionários da CPTM.
“Neste primeiro ano, a Trivia realizou o mapeamento detalhado de toda a malha ferroviária. Como ação imediata para os próximos dois anos, a concessionária vai substituir 35 quilômetros de trilhos, trocar 10 mil dormentes e atuar prioritariamente nos cerca de 300 pontos identificados com algum tipo de restrição operacional”, afirmou.
“Após essa intervenção inicial, a Trivia dará início às obras estruturais para a renovação completa de 100% da via permanente, incluindo trilhos e dormentes, rede área de energia e sistemas de sinalização. Além disso, a concessionária fará a construção de 8 novas estações e reconstrução de 4 existentes. Com a atuação das equipes e a execução do plano de investimentos, a concessionária visa elevar gradualmente o nível de serviço e reduzir as ocorrências, garantindo um transporte cada vez mais seguro, previsível e confiável”, declarou.





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