Brasil e Coreia do Sul deram um passo relevante na ampliação de sua parceria bilateral com a assinatura de dez acordos de cooperação em áreas ligadas ao comércio e aos minerais críticos. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (23) pelo presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além dos instrumentos assinados, os dois líderes estabeleceram um plano de quatro anos para fortalecer a relação entre os países nos campos político, econômico e de intercâmbio. A iniciativa sinaliza um movimento estratégico de aproximação e consolida a Coreia do Sul como um dos principais parceiros do Brasil na Ásia.
Plano estratégico e novas frentes de cooperação
Durante a agenda oficial, Lee Jae Myung destacou que o novo ciclo de cooperação inclui metas de médio prazo e prevê aprofundamento das relações bilaterais em diferentes áreas. Ele também ressaltou o fortalecimento dos laços culturais e apontou que o turismo brasileiro na Coreia do Sul cresceu 25% nos últimos anos.
Na sequência, Lula afirmou que os entendimentos firmados vão além do comércio e dos minerais críticos, abrangendo também saúde, empreendedorismo, agricultura, ciência e tecnologia e combate ao crime organizado transnacional.
“Há amplo espaço para cooperação em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial”, afirmou. “Setores que vão da indústria de beleza ao audiovisual podem ser potencializados por novas parcerias”.
O presidente brasileiro também mencionou a pauta agrícola, em especial as exportações de proteína animal.
“Expus ao presidente Lee que a conclusão dos procedimentos sanitários para a exportação de carne bovina brasileira poderá beneficiar os consumidores coreanos”, disse.
Lula declarou ainda que pretende trabalhar pela retomada das negociações entre a Coreia do Sul e o Mercosul, ampliando o alcance do diálogo comercial regional.
Visita de Estado e agenda diplomática
Esta é a terceira viagem de Lula à Coreia do Sul, após visitas realizadas em 2005 e 2010. Desta vez, porém, o encontro ocorre com o status de visita de Estado, o que confere maior peso político e diplomático à agenda bilateral.
No último ano, Lula e Lee Jae Myung já haviam se encontrado em duas ocasiões: em junho, no Canadá, durante a cúpula do G7, e em novembro, na reunião do G20, na África do Sul. Segundo interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, nesses encontros a afinidade entre os presidentes ficou “clara e evidente”.
A expectativa é que a visita consolide a assinatura de um “Plano de Ação 2026-2029”, documento que deve formalizar um nível mais estratégico de cooperação e orientar prioridades conjuntas, além de incluir avaliações sobre o cenário geopolítico internacional.
A aproximação integra uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de ampliar a presença na Ásia, diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de mercados tradicionais.
Comércio e investimentos em alta
A Coreia do Sul ocupa posição relevante no comércio exterior brasileiro. Em 2024, o país asiático anunciou cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no Brasil, com quase 80% direcionados à indústria de transformação.
No intercâmbio comercial, o fluxo bilateral alcançou US$ 10,8 bilhões no último ano, com superávit de US$ 174 milhões para o Brasil. Entre os países asiáticos, a Coreia do Sul é o quarto maior parceiro comercial brasileiro. No ranking global, ocupa a 13ª posição.
Os novos acordos reforçam a intenção de expandir esse volume, especialmente em áreas estratégicas como tecnologia avançada e minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética e a indústria digital.
Cultura, k-pop e indústria da beleza
Além dos aspectos econômicos, a relação entre Brasil e Coreia do Sul tem sido marcada por forte intercâmbio cultural. Nos últimos anos, o avanço do k-pop, das séries e do cinema sul-coreano ampliou o interesse do público brasileiro pelo país asiático.
Produções exibidas em plataformas de streaming, a culinária típica e as tendências de moda ajudaram a consolidar a presença da cultura coreana no Brasil. O crescimento do turismo brasileiro na Coreia do Sul acompanha esse movimento.
Outro destaque é a popularização da chamada K-beauty. Rotinas de cuidados com a pele, séruns e cosméticos coreanos ganharam espaço nas redes sociais e no varejo brasileiro. A estética associada a celebridades e ídolos do entretenimento impulsionou o consumo e despertou o interesse de empresas brasileiras pelas inovações tecnológicas desenvolvidas na Coreia do Sul.

Com acordos que combinam economia, tecnologia e cultura, a visita de Estado consolida uma fase de aproximação que pode redefinir o papel da parceria Brasil-Coreia do Sul nos próximos anos.






Deixe um comentário