O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em Seul, que o acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul pode ser concluído ainda este ano. A sinalização ocorre após uma reunião com o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, que também defendeu a retomada imediata das negociações entre o bloco sul-americano e o país asiático.
A última rodada formal de negociações ocorreu em 2021, e desde então o processo estava paralisado. A reativação do diálogo ocorre em um contexto de instabilidade no comércio internacional, marcado por disputas tarifárias e decisões unilaterais de grandes potências.
Retomada das negociações
Durante visita de Estado à capital sul-coreana, Lula destacou que a discussão sobre o acordo ganha relevância em um momento de incertezas no cenário global.
“Eu lembrei a ele [Lee Jae-Myung] que era muito importante, nesse momento em que se discute a volta do unilateralismo, a gente voltar a discutir esse acordo. Ele se mostrou muito interessado. Nós vamos montar as comissões para começar a debater. E eu acho que, se tudo der certo, a gente pode concluir esses acordos este ano”, afirmou o presidente em sua passagem por Seul.
A declaração indica que os dois governos devem instalar comissões técnicas para reabrir oficialmente as tratativas. O acordo em negociação envolve temas como redução de tarifas, acesso a mercados, regras sanitárias e facilitação de investimentos.
No dia anterior, Lee já havia reforçado publicamente a disposição de avançar. “O presidente Lula expressou concordância com a conclusão de que um acordo como esse cumpre uma tarefa urgente e importante”, disse o sul-coreano. A declaração foi feita a jornalistas nesta segunda-feira (23) no horário de Brasília — manhã de terça-feira (24) no horário local.
Estratégia de diversificação
A retomada das negociações com a Coreia do Sul se insere em uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de ampliar parcerias comerciais e reduzir a dependência de mercados tradicionais. Assim como outros países, o Brasil tem buscado diversificar seus destinos de exportação e acordos bilaterais ou multilaterais.
O movimento se intensificou após decisões tarifárias adotadas pelos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump. Embora a Suprema Corte dos EUA tenha considerado ilegais as tarifas impostas na semana passada, novas taxas foram anunciadas com base em outros fundamentos jurídicos, mantendo o ambiente de incerteza.
Nesse cenário, o fortalecimento de acordos com países asiáticos é visto como uma alternativa para garantir maior previsibilidade às exportações brasileiras, especialmente nos setores agrícola e industrial.
Giro pela Ásia
A passagem por Seul fez parte de um roteiro mais amplo do presidente pela Ásia, com foco central em negociações comerciais. Antes da Coreia do Sul, Lula esteve na Índia, onde participou de uma cúpula sobre inteligência artificial e realizou visita de Estado a convite do primeiro-ministro Narendra Modi.
Entre os objetivos da etapa indiana estava a renegociação de taxas aplicadas ao frango brasileiro, meta que não foi alcançada durante a viagem.
Após deixar a capital sul-coreana, Lula seguiu para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde tem encontro previsto com o xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan. A agenda encerra o giro asiático, que buscou ampliar oportunidades comerciais e consolidar novos canais de diálogo econômico.






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