Brasil assume liderança global na produção de carne bovina e supera os EUA

País alia tecnologia, ganho de produtividade e competitividade para alcançar recorde histórico, segundo dados oficiais

Pela primeira vez, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu a liderança mundial na produção de carne bovina. Os dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) e foram divulgados originalmente pela coluna Vaivém, da Folha de S.Paulo. Além de já ser o maior exportador global, o país passa a ocupar também o posto de principal produtor.

A mudança de posição é significativa. Há quatro anos, a produção norte-americana superava a brasileira em cerca de 31%. Em 2025, a estimativa é de que o Brasil alcance 12,35 milhões de toneladas, volume 4% superior ao registrado em 2024. No mesmo período, os Estados Unidos devem produzir 11,81 milhões de toneladas, queda de 4% em relação ao ano anterior.

Produtividade impulsiona recordes no campo

No início de 2025, parte do mercado projetava uma retração na produção brasileira, cenário que não se confirmou. Um dos fatores determinantes foi o aumento do rendimento da carcaça, resultado do uso mais intensivo de tecnologia no campo, especialmente na alimentação do gado.

Em setembro, o peso médio do macho abatido no país chegou a 303 quilos de carcaça, recorde histórico. Esse ganho permitiu que o Brasil superasse a marca de 1 milhão de toneladas de carne bovina produzidas em um único mês, reforçando o impacto direto da produtividade sobre a oferta total.

Tecnologia e manejo explicam ganho de peso do gado

De acordo com Maurício Nogueira, da consultoria Athenagro, responsável pela consolidação dos dados, o aumento do peso médio dos animais é reflexo de mudanças estruturais na pecuária nacional. “Esse avanço está diretamente ligado ao maior uso de tecnologia, principalmente na nutrição do rebanho”, afirma.

A Athenagro considerou abates sob inspeção municipal, estadual e federal para calcular o peso médio recorde da carcaça. Para Nogueira, o Brasil ainda tem amplo espaço para avançar nesse indicador, o que pode sustentar níveis elevados de produção nos próximos anos.

Estados Unidos enfrentam crise estrutural na pecuária

Enquanto o Brasil avança, os Estados Unidos lidam com um cenário adverso. O rebanho bovino norte-americano está no menor patamar desde a década de 1970, pressionado por efeitos climáticos e pelo aumento dos custos de produção.

Esses fatores ajudam a explicar a retração da produção americana em 2025. Segundo o Usda, o país deverá encerrar o ano com 11,81 milhões de toneladas, volume inferior ao registrado em 2024 e abaixo do total brasileiro pela primeira vez.

Divergências sobre o cenário para 2026

Para 2026, o Usda projeta queda na produção tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos, com ambos produzindo cerca de 11,7 milhões de toneladas. Nogueira, no entanto, discorda da previsão de retração de 5% para o Brasil.

Na avaliação do consultor, a produção pode se manter estável ou até crescer levemente. “Os preços vêm melhorando há cerca de 18 meses, o que incentiva o produtor a investir”, diz. Segundo ele, mesmo sem crescimento expressivo, o Brasil tende a permanecer à frente dos EUA.

Mercado global deve encolher após anos de alta

O Usda estima que a produção mundial de carne bovina atinja o recorde de 61,9 milhões de toneladas em 2025, com exportações de 13,7 milhões. Em 2026, a expectativa é de recuo para 61 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem cair 1%, para 13,5 milhões.

O consumo global também deve recuar cerca de 1%, pressionado por preços mais altos e pela substituição da carne bovina por proteínas mais baratas. A projeção é de que o consumo fique em 59,5 milhões de toneladas no próximo ano.

Brasil se beneficia de competitividade e sanidade

Parte da demanda global tende a migrar para a carne de frango, cujas exportações podem crescer 3,3%, alcançando 14,7 milhões de toneladas. Ainda assim, o cenário para a produção de carnes segue favorável ao Brasil.

Além de competitividade de custos e abertura de novos mercados, o país se destaca por estar livre de doenças que afetam outros grandes produtores, como gripe aviária, peste suína africana e língua azul. A escala de produção de bezerros e o menor custo em relação a concorrentes reforçam a posição brasileira no mercado internacional.


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