O vídeo publicado por Michelle Bolsonaro relatando divergências políticas e pessoais com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançou grande repercussão entre o eleitorado e provocou reações distintas dentro e fora da base bolsonarista. É o que mostra um recorte da pesquisa AtlasIntel divulgada pelo UOL, que analisou como os brasileiros interpretaram o episódio e seus possíveis impactos na corrida presidencial.
Segundo o levantamento, 78% dos entrevistados afirmaram ter assistido ao vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, enquanto 22% disseram não ter visto o conteúdo. A ampla circulação da gravação permitiu ao instituto medir a percepção dos eleitores sobre o conflito público envolvendo duas das principais lideranças da extrema direita.
Base bolsonarista rejeita acusação contra Flávio
Entre os eleitores que votam em Jair Bolsonaro e assistiram ao vídeo, a maioria não acredita que Flávio Bolsonaro tenha desrespeitado Michelle Bolsonaro.
Segundo a pesquisa, 54,6% afirmaram não acreditar que o senador destratou a ex-primeira-dama. Outros 29,9% disseram acreditar na versão apresentada por Michelle, enquanto 15,6% responderam que não sabem.
Já quando considerados todos os eleitores que assistiram ao vídeo, independentemente da preferência política, o cenário se inverte.
Nesse grupo, 59,6% acreditam que Flávio destratou Michelle, contra 29,3% que discordam dessa avaliação. Outros 11,3% não souberam responder.
Maioria dos apoiadores de Bolsonaro desaprova divulgação do vídeo
A pesquisa também investigou a avaliação sobre a decisão de Michelle Bolsonaro de tornar públicas as divergências.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro que assistiram ao vídeo, 65,6% disseram discordar da iniciativa da ex-primeira-dama de divulgar o conteúdo. Apenas 26,5% afirmaram concordar com a decisão, enquanto 7,8% não opinaram.
No eleitorado em geral, porém, o entendimento foi diferente.
Entre aqueles que acompanharam o vídeo, 51% concordam com a decisão de Michelle de tornar públicas as divergências. Outros 35,1% discordam, enquanto 13,7% responderam que não sabem.
Michelle leva vantagem fora da base bolsonarista
O levantamento também perguntou com quem os entrevistados mais concordam no conflito entre Michelle e Flávio Bolsonaro.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, Flávio aparece à frente, com 43,2% das preferências. Michelle é apoiada por 17,3%, enquanto 33,6% afirmam concordar parcialmente com ambos. Outros 5,9% não souberam responder.
Quando considerados todos os eleitores que assistiram ao vídeo, Michelle passa a liderar.
Nesse universo, 38,3% disseram concordar mais com a ex-primeira-dama. Flávio Bolsonaro recebeu 20,6% das respostas, enquanto 21,4% afirmaram concordar parcialmente com os dois. Já 19,6% disseram não saber.
Ceará também expõe divisão
Outro ponto abordado pela pesquisa foi a divergência envolvendo o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes no Ceará.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro que assistiram ao vídeo, 53,8% afirmaram concordar com Flávio Bolsonaro sobre o tema. Michelle Bolsonaro recebeu 36,7% de apoio, enquanto 9,5% não responderam.
Os números indicam que, mesmo diante das críticas feitas por Michelle, a maioria da base bolsonarista permanece alinhada às posições defendidas pelo senador.
Eleitores consideram Michelle peça importante na campanha
O levantamento também mediu a percepção sobre o papel político da ex-primeira-dama na disputa presidencial.
Para 28,9% dos entrevistados, a participação ativa de Michelle Bolsonaro na campanha de Flávio é muito importante. Outros 26,5% classificaram sua presença como importante.
Já 16,3% disseram que sua participação é pouco importante, enquanto 11,7% afirmaram que ela não tem importância. Outros 16,6% não souberam responder.
Somando as respostas “muito importante” e “importante”, mais da metade dos entrevistados atribui relevância à participação de Michelle na campanha presidencial.
Eleitores veem ambição política como principal motivação
Questionados sobre o que motivou Michelle Bolsonaro a divulgar o vídeo, os entrevistados apresentaram diferentes interpretações.
Para 38,6%, a principal motivação foi o desejo de disputar futuramente a Presidência da República.
Outros 28,5% acreditam que o objetivo foi expor divergências políticas e pessoais existentes dentro do grupo político.
Já 22,3% entendem que Michelle buscou ampliar sua influência dentro do PL, enquanto 10,7% não souberam responder.
Maioria avalia que episódio prejudica Flávio
Os entrevistados também foram questionados sobre os impactos eleitorais do conflito.
Segundo a pesquisa, 37,8% acreditam que a exposição pública do desentendimento enfraquece muito a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Outros 26,3% avaliam que ela enfraquece um pouco, totalizando 64,1% que enxergam algum prejuízo político.
Por outro lado, 22,4% consideram que o episódio não produz efeitos eleitorais, enquanto apenas 7,1% afirmam que fortalece muito a candidatura e 2,1% acreditam que fortalece um pouco. Outros 4,4% não souberam responder.
Metodologia
A pesquisa AtlasIntel entrevistou 4.999 pessoas por recrutamento digital aleatório entre os dias 26 e 30 de junho. O vídeo de Michelle Bolsonaro foi publicado em 24 de junho.
O levantamento possui margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04582/2026 e financiada com recursos do próprio instituto.





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