Boletim Focus: projeção da inflação fica abaixo dos 5% e chega à 12ª semana seguida de queda

Relatório semanal do BC aponta estimativa do IPCA em 4,95% para 2025, influenciada por juros altos e efeitos do tarifaço, enquanto crescimento e câmbio seguem estáveis

As projeções do mercado financeiro para a inflação no Brasil voltaram a cair e agora já estão abaixo de 5%, de acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central. Esta é a 12ª semana consecutiva de redução nas expectativas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação.

A estimativa do IPCA para 2025 passou de 5,05% para 4,95%. Há um mês, a previsão era de 5,10%. Para 2026, também houve leve recuo: de 4,41% para 4,40%. O teto da meta de inflação deste ano é de 4,50%, o que significa que a nova projeção do mercado está próxima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional.

Fatores que influenciam a queda

Segundo analistas, dois fatores principais explicam a trajetória de queda nas expectativas. O primeiro é o efeito dos juros elevados, que vêm esfriando a atividade econômica e reduzindo pressões sobre os preços. O segundo é o impacto do chamado tarifaço — um conjunto de medidas e barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Essas restrições reduzem a capacidade do Brasil de exportar, obrigando parte da produção a permanecer no mercado doméstico. O excesso de oferta interna de determinados bens e produtos contribui para a queda de preços, exercendo efeito deflacionário.

Crescimento, juros e câmbio

Enquanto a inflação dá sinais de alívio, o cenário para crescimento econômico permanece estável. O Boletim Focus manteve a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,21% para 2025 e 1,87% para 2026.

As expectativas para a taxa de juros e o câmbio também não sofreram alterações. A taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar o período em 15%, enquanto o dólar permanece projetado em R$ 5,60.

O quadro indica que, apesar da pressão de fatores externos e da desaceleração da economia interna, as expectativas de inflação caminham para dentro da meta estabelecida. Ainda assim, especialistas ponderam que a combinação de juros altos e restrições ao comércio internacional impõe desafios ao crescimento econômico do país nos próximos anos.

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