Pela primeira vez neste ano, o mercado financeiro revisou para baixo a projeção da taxa básica de juros. A estimativa para a Selic ao fim de 2026 caiu de 12,25% para 12,13%, segundo dados divulgados no Boletim Focus desta segunda-feira. A mudança reflete a expectativa de que o Banco Central inicie, já em março, um novo ciclo de redução dos juros.
A aposta predominante entre analistas é de um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Caso confirmada, a decisão marcaria o início de uma fase de flexibilização monetária após período prolongado de taxas elevadas.
Expectativa de corte ganha força
A revisão da Selic ocorre em um contexto de desaceleração da atividade econômica. Indicadores divulgados na última semana mostram que o ritmo de crescimento perdeu fôlego no fim de 2025, movimento que contribui para reduzir pressões inflacionárias.
Com menor aquecimento da economia, o Banco Central ganha margem para iniciar o processo de afrouxamento da política monetária. O mercado interpreta o cenário como favorável a cortes graduais, desde que os índices de preços sigam em trajetória controlada.
Inflação recua pela sétima semana seguida
No mesmo boletim, a projeção para a inflação de 2026 foi reduzida pela sétima semana consecutiva. A estimativa agora está em 3,91%. A sequência de revisões para baixo reforça a percepção de que a desaceleração econômica começa a surtir efeito sobre os preços.
Os dados consolidados do ano passado indicam menor dinamismo na atividade produtiva, o que tende a aliviar pressões de demanda. Esse ambiente favorece a convergência da inflação para patamares mais próximos das metas estabelecidas.
Dólar também é revisado para baixo
Além da Selic e da inflação, os analistas consultados pelo Banco Central ajustaram a expectativa para o câmbio. Após permanecer por 18 semanas em R$ 5,50, a projeção para a cotação do dólar ao fim de 2026 foi reduzida para R$ 5,45.
A valorização do real frente à moeda norte-americana acompanha um movimento internacional de enfraquecimento do dólar. Esse cenário está relacionado às incertezas sobre a condução da política econômica dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump, fator que tem influenciado mercados globais.
Cenário combinado favorece ambiente financeiro
A combinação de inflação em queda, expectativa de redução de juros e câmbio mais favorável cria um ambiente considerado mais positivo para investimentos e consumo. Ainda assim, analistas ponderam que o ritmo e a intensidade dos cortes da Selic dependerão da manutenção do controle inflacionário e da evolução do cenário externo.






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