Boletim Focus: mercado eleva previsão da inflação pela 9ª semana seguida e já vê juros mais altos em 2027

Relatório do Banco Central mostra alta nas projeções do IPCA para 2026 e reforça expectativa de Selic elevada por mais tempo

O mercado financeiro voltou a revisar para cima as projeções de inflação para os próximos anos e passou a prever uma taxa básica de juros mais elevada em 2027. Os dados constam no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, que reúne estimativas de analistas e instituições financeiras sobre os principais indicadores da economia brasileira.

Segundo o relatório, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu de 4,89% para 4,91%, marcando a nona semana consecutiva de alta nas projeções inflacionárias.

O movimento reforça a percepção de que o controle da inflação deverá continuar sendo um dos principais desafios da política econômica nos próximos anos.

Além da revisão para os preços, o mercado também elevou a previsão para a taxa Selic em 2027. A estimativa passou de 11% para 11,25% ao ano, indicando expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado por um período mais longo.

Apesar da pressão inflacionária, os analistas mantiveram a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 1,85% para 2026.

Já a projeção para o dólar apresentou leve recuo, passando de R$ 5,25 para R$ 5,20 no mesmo período.

Inflação segue acima da meta

As novas projeções do Focus mostram que o mercado continua enxergando dificuldades para a convergência da inflação às metas estabelecidas pelo Banco Central.

Para 2027, a previsão do IPCA permaneceu em 4%, repetindo o mesmo percentual da semana anterior.

As estimativas para os anos seguintes também ficaram praticamente estáveis: 3,64% para 2028 e 3,50% para 2029.

No caso de 2029, o índice permanece inalterado há 36 semanas consecutivas.

A manutenção das projeções acima do centro da meta reforça a leitura de que o processo de desinflação deverá ocorrer de forma gradual.

Analistas do mercado vêm apontando fatores como pressão sobre serviços, mercado de trabalho aquecido, consumo resiliente e incertezas fiscais como elementos que dificultam uma queda mais acelerada da inflação.

IGP-M também registra alta

Outro indicador que apresentou revisão para cima foi o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), frequentemente utilizado em reajustes de aluguel e contratos.

A projeção para 2026 subiu de 5,50% para 5,60%, acumulando a décima elevação consecutiva nas expectativas.

Para 2027, a previsão foi mantida em 4%.

Em 2028, houve leve redução, de 3,83% para 3,82%, enquanto para 2029 o índice permaneceu em 3,70%.

O Focus também mostrou aumento nas estimativas relacionadas aos chamados preços administrados, categoria que inclui itens como combustíveis, energia elétrica e tarifas públicas.

Para 2026, a projeção passou de 4,98% para 5,01%.

As previsões para 2027, 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 3,80%, 3,50% e 3,50%, respectivamente.

Mercado vê juros altos por mais tempo

A revisão da Selic para 2027 foi interpretada por analistas como um sinal de que o mercado espera juros elevados por um período mais prolongado.

A taxa básica projetada para o fim de 2026 foi mantida em 13% ao ano pela terceira semana consecutiva.

Já para 2028 e 2029, as estimativas seguiram em 10% ao ano.

O movimento ocorre em meio às discussões sobre o ritmo de desaceleração da inflação e os desafios do Banco Central para equilibrar crescimento econômico e controle de preços.

A manutenção de juros elevados tende a impactar diretamente crédito, consumo e investimentos, especialmente em setores mais dependentes de financiamento.

Por outro lado, o mercado avalia que uma política monetária mais rígida continua sendo necessária para evitar uma deterioração maior das expectativas inflacionárias.

PIB permanece estável

Apesar das revisões para inflação e juros, as projeções para o crescimento econômico permaneceram relativamente estáveis.

O mercado manteve a estimativa de expansão do PIB em 1,85% para 2026.

Para 2027, houve leve ajuste positivo, passando de 1,75% para 1,76%.

Já para 2028 e 2029, a expectativa seguiu em crescimento de 2% ao ano.

Economistas apontam que o cenário ainda combina atividade econômica resiliente, mercado de trabalho relativamente forte e desaceleração moderada do consumo.

Ao mesmo tempo, o ambiente de juros altos e crédito restritivo continua limitando um crescimento mais acelerado da economia brasileira.

Dólar recua nas projeções

No mercado cambial, o Focus registrou redução nas estimativas para o dólar em alguns períodos.

Para 2026, a projeção caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20.

A expectativa para 2027 permaneceu em R$ 5,30.

Em 2028, houve nova revisão para baixo, de R$ 5,39 para R$ 5,35, enquanto para 2029 a previsão continuou em R$ 5,40.

A estabilidade cambial projetada pelo mercado aparece como um dos fatores que podem ajudar a reduzir pressões inflacionárias futuras, especialmente sobre produtos importados e combustíveis.

Mesmo assim, analistas seguem monitorando o cenário internacional, o comportamento dos juros nos Estados Unidos e os riscos fiscais internos como elementos capazes de alterar o comportamento do câmbio nos próximos meses.

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