Boate Kiss: PGR pede ao STF que seja mantida condenação dos quatro réus pelo incêndio que matou 242 pessoas

Para a subprocuradora Cláudia Sampaio Marques, não houve violação de preceitos constitucionais, conforme alegado pelas defesas

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, nesta quinta-feira (2), que o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirme a condenação de quatro réus pelo incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS).

De acordo com a PGR, as nulidades apontadas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul durante a análise do caso pelo tribunal do júri não prejudicaram os acusados e foram levantadas pelas defesas após o prazo legal estipulado.

Para a subprocuradora Cláudia Sampaio Marques, não houve violação de preceitos constitucionais, conforme alegado pelas defesas.

“Evidencia-se a necessidade de reconhecer que a anulação do julgamento dos crimes ocorridos há mais de uma década, que resultaram na morte trágica de mais de 240 pessoas, após o árduo trabalho desenvolvido pelo Tribunal do Júri ao longo de dez dias, com estrita observância de todos os preceitos constitucionais, representou inquestionavelmente a cruel renovação das dores infligidas aos sobreviventes e às famílias das centenas de vítimas fatais”, escreveu.

O incêndio na casa de espetáculos, ocorrido em janeiro de 2013, resultou na morte de 242 pessoas e deixou outras 636 feridas. Em dezembro de 2021, o tribunal do júri condenou:

Elissandro Callegaro Spohr a 22 anos e seis meses de reclusão;

Mauro Londero Hoffmann a 19 anos e seis meses;

Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão, ambos à pena de 18 anos.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, no entanto, anulou o júri por quatro motivos principais:

Irregularidades na seleção dos jurados, incluindo um sorteio realizado fora do prazo estabelecido pelo Código de Processo Penal (CPP);

Realização de uma reunião reservada entre o juiz presidente do júri e os jurados durante a sessão de julgamento, sem a participação das defesas ou do Ministério Público;

Ilegalidades na formulação dos quesitos;

Suposta mudança na acusação durante a fase de réplica, o que não é permitido.

Em setembro de 2023, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a anulação da condenação pelo tribunal do júri.

Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli atendeu a um pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) e suspendeu o novo julgamento dos réus pelo incêndio na Boate Kiss, que estava programado para 26 de fevereiro daquele ano.

Para Toffoli, o posicionamento adotado pela Sexta Turma, em tese, demonstra uma possível divergência com a jurisprudência do STF. O vice-presidente do STJ também ressaltou que a questão possui natureza constitucional e, portanto, deve ser levada ao conhecimento da Suprema Corte.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul e a PGR recorreram ao Supremo para manter a condenação.

Com informações do g1

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