Bingo ligado a Rogério Andrade dava até R$ 5 mil em bônus aos apostadores

Investigação do MPRJ aponta que casa no Recreio funcionava como entreposto do esquema e liberava créditos para manter clientes apostando

O Ministério Público do Rio (MPRJ) afirma que o bingo clandestino alvo de operação no Recreio dos Bandeirantes oferecia prêmios em forma de bônus para estimular a permanência dos clientes nas apostas. Os valores, segundo os promotores, variavam de R$ 100 a R$ 5 mil.

Para a investigação, o endereço funcionava como um “entreposto” do esquema atribuído ao bicheiro Rogério Andrade e ao filho dele, Gustavo Andrade, concentrando a liberação de créditos e o controle do fluxo de apostadores.

Mensagens interceptadas no celular de Jefferson Monteiro da Silva, investigado na Operação Calígula, detalham como os bônus eram autorizados durante o expediente para evitar a saída de clientes após perdas.

Como o bônus era liberado aos clientes

De acordo com o MP, Ana Paula Alexandre Novello é apontada como administradora do bingo Espaço Classe A Recreio, tendo como gerente Thiago Perdomo Magalhães, conhecido como “Batata”. O supervisor citado nas apurações é Marconi da Silva Borba.

Em uma das conversas, Jefferson fala com Francesco Novello, filho de Ana Paula, apelidado de “Zé”, sobre uma ordem atribuída ao gerente: “Batata mandou dar 5k (R$ 5 mil) para ele de bônus”, escreve Jefferson após o cliente perder mais de R$ 30 mil. “Sim”, responde Francesco.

Outras mensagens indicam liberações recorrentes de R$ 100, R$ 200, R$ 500 e R$ 1 mil, sempre com o objetivo de manter o apostador no jogo, segundo a promotoria.

Estrutura apontada pelo MPRJ

As investigações indicam que Ana Paula e o filho, Francesco Novello Neto, naturais de Juiz de Fora, eram responsáveis pela administração do Espaço Classe A Recreio. A apuração sustenta que ela cumpria e repassava ordens de Rogério e Gustavo Andrade aos subordinados diretos.

Além do gerente “Batata” e do supervisor, o Ministério Público também denunciou Rui Orlando Monteiro e Roberto Nogueira Figueiredo no âmbito do mesmo inquérito.

Um áudio obtido pela investigação descreve regras internas para o pagamento dos bônus, com controle e entrega direta ao cliente, além de um intervalo mínimo de tempo de jogo antes da liberação do crédito.

Depoimento de Ronnie Lessa e o contexto

A operação ocorreu um dia após a divulgação do depoimento do ex-PM Ronnie Lessa, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no qual ele relatou detalhes de um esquema de exploração de jogos ilegais e corrupção policial na Zona Oeste.

No interrogatório, obtido pela GloboNews, Lessa disse ter sido sócio de Rogério Andrade em negócios ilícitos e afirmou que, em 2018, abriu um bingo clandestino no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, após acertar a parceria e negociar com policiais para viabilizar o funcionamento.

Segundo o relato, mesmo com a interdição e a apreensão de 78 máquinas no dia da inauguração, o grupo teria recuperado o material depois de novo acerto, e as investigações da Operação Calígula levaram à prisão de delegados em 2022 por suspeita de envolvimento.

O que dizem os citados

A Polícia Civil informou, em nota, que não compactua com desvios de conduta e que há processos administrativos disciplinares em andamento contra os três citados, com afastamento das funções operacionais. Dois deles estão aposentados e um cedido a outro órgão, podendo ser demitidos ao fim das apurações.

A defesa da delegada Adriana Belém nega qualquer autorização para abertura de cassino clandestino ou recebimento de vantagem indevida e afirma que a reunião citada por Lessa teria tratado de outro assunto, sustentando que ocorreu após o fechamento do bingo.

Já as defesas de Marcos Cipriano e Jorge Luiz Camillo Alves dizem que as acusações serão enfrentadas em juízo, negam irregularidades e afirmam confiar na Justiça.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading