Nos Estados Unidos, gigantes da tecnologia começaram a enfrentar na Justiça acusações relacionadas a danos à saúde mental de jovens usuários. O primeiro julgamento desse tipo teve início na Califórnia e chama atenção por colocar duas líderes do setor diante de um júri popular.
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada nos autos apenas como KGM. Ela afirma ter começado a usar redes sociais ainda na infância e acusa a Meta, dona do Instagram e do Facebook, e o YouTube, do Google, de criarem produtos deliberadamente viciantes para ampliar lucros.
O caso marca a primeira vez em que duas big techs encaram um júri popular especificamente por alegações de vício em plataformas digitais, o que eleva a expectativa sobre os desdobramentos do processo.
Como a acusação foi apresentada
Na audiência inicial, realizada em Los Angeles, a defesa da autora sustentou que o contato precoce com conteúdos considerados nocivos teria agravado problemas emocionais e de saúde mental ao longo dos anos. Também foi citado o impacto de recursos visuais das plataformas na percepção de imagem pessoal da jovem.
As empresas negam as acusações. YouTube e Meta afirmam que não existem evidências científicas de que suas plataformas causem dependência e destacam que vêm adotando medidas de proteção e segurança ao usuário.
Representantes da Meta argumentaram no tribunal que os problemas relatados teriam outras origens, como conflitos familiares, e questionaram se a retirada das redes, por si só, mudaria o desfecho da história apresentada no processo.
Por que o julgamento é considerado histórico
Especialistas veem o caso como um possível divisor de águas, já que a decisão pode influenciar milhares de ações semelhantes em diferentes estados americanos. A previsão é de que o julgamento na Califórnia dure até oito semanas.
O fundador da Meta, Mark Zuckerberg, está entre as testemunhas esperadas para depor ao longo do processo, o que reforça a relevância do caso para o setor de tecnologia.
Outras plataformas também estavam no polo passivo, mas TikTok e Snapchat optaram por acordos antes do início do julgamento, deixando Meta e YouTube como rés principais na disputa judicial.






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