Barbárie em SP: motoqueiros perseguem e agridem dependentes químicos para expulsá-los de bairro (veja vídeo)

Ataques no Jardim Tremembé geram críticas à falta de ação do poder público

Moradores do Jardim Tremembé, na zona norte de São Paulo, protagonizaram cenas de violência ao organizarem ataques contra dependentes químicos que recentemente passaram a ocupar as ruas do bairro. Em vídeos divulgados nas redes sociais, motoqueiros e pedestres são flagrados agredindo as pessoas com socos, chutes e pauladas.

“Os noias estão correndo mais do que moto”, diz um dos agressores enquanto filma. Outro afirma que “os polícia tá deixando bater”. Em algumas imagens, policiais militares aparecem próximos aos locais das agressões, levantando suspeitas de omissão das autoridades. A Secretaria da Segurança Pública informou que abriu inquérito para investigar os fatos.

Os ataques, batizados de “caça-noia”, foram organizados por meio de mensagens em grupos de bairro. “Os motoca vão acabar com isso”, dizia um dos textos. A violência foi uma reação à chegada de usuários de drogas na região, que, segundo relatos de moradores, teriam migrado de outros pontos da cidade, como a Cracolândia.

A dispersão da Cracolândia no centro da capital tem gerado novos focos de aglomeração de dependentes químicos em diferentes bairros, incluindo Tremembé. A Prefeitura informou que acompanha a situação desde outubro e realiza ações para identificação e assistência aos usuários. Uma reunião entre autoridades locais foi realizada recentemente para discutir o problema.

Na antiga Cracolândia, instalação de grades

O surgimento desses novos núcleos de dependência química coincide com medidas como a instalação de grades na antiga Cracolândia, deslocando os usuários para outras áreas. No entanto, moradores da zona norte afirmam que a insegurança cresceu desde a chegada dos grupos.

“É muito triste ver isso aqui. Essas pessoas são novas e estão se perdendo nas drogas”, lamenta Ivaldo Batista, morador do bairro.

Enquanto isso, traficantes locais criticam os ataques, classificando-os como generalizados e advertindo que linchamentos só são “permitidos” caso haja roubo. Faixas com mensagens ameaçadoras foram vistas em pontos de venda de drogas no bairro.

Com informações de Metrópoles

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