Escolta policial “transfere” cracolândia para marginal Tietê (vídeos)

Uma operação conduzida por agentes da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e policiais “levou” o chamado “fluxo” (aglomeração de dependentes químicos usuários de crack) das ruas da região da Santa Ifigênia, na área central da capital paulista, para um perímetro do Bom Retiro, num trecho que fica embaixo da Ponte Governador Orestes Quércia, na…

Uma operação conduzida por agentes da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e policiais “levou” o chamado “fluxo” (aglomeração de dependentes químicos usuários de crack) das ruas da região da Santa Ifigênia, na área central da capital paulista, para um perímetro do Bom Retiro, num trecho que fica embaixo da Ponte Governador Orestes Quércia, na noite de sábado (8).

Imagens registradas por pessoas das duas áreas mostram tanto a retirada dos usuários de crack das ruas dos Protestantes e José Paulino, como a chegada deles ao novo lugar onde se formará a “cracolândia” agora, na Marginal Tietê, próximo da Avenida do Estado.

A região onde está a Ponte Governador Orestes Quércia é formada por um complexo viários, com pontos e espaços sem residências ou comércios, o que teria pesado na escolha do novo ponto onde se instalará a cracolândia, que nos últimos anos tem trazido muitos transtornos, além de uma onda brutal de criminalidade, pelos bairros residenciais e comerciais por onde se instalou.

Os vídeos no final da reportagem mostram os dependentes químicos caminhando pela rua e carregando itens pessoais, na noite deste sábado. A movimentação é acompanhada por guardas e policiais, civis e militares.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo confirmou à reportagem, por meio de nota encaminhada neste domingo (9/7), que policiais e GCMs escoltaram os usuários de drogas, que se concentraram sob a ponte estaiadinha e na Rua Prates.

A pasta acrescentou que, ainda neste domingo, alguns dependentes químicos tentaram retornar à Santa Ifigênia e aos Campos Elíseos. Eles, no entanto, foram impedidos “em atendimento às inúmeras solicitações de moradores, trabalhadores e comerciantes locais.”

A GCM, ligada à Secretaria da Segurança Urbana, da Prefeitura de São Paulo, também confirmou a escolta dos dependentes químicos na noite desse sábado.

Para auxiliar na manutenção das vias liberadas, acrescentou a pasta municipal, 400 guardas irão reforçar o policiamento na antiga concentração da Cracolândia a partir desse segunda-feira (10).

Além das forças de segurança, a prefeitura acrescentou que agentes da Subprefeitura da Sé limparam as vias por onde os dependentes químicos passaram. Assistentes sociais também acompanharam o deslocamento do fluxo e distribuíram água.

Moradores dos Campos Elíseos e Santa Ifigênia, ouvidos pela reportagem na manhã deste domingo, perceberam o deslocamento de parte do fluxo. “Ainda há alguns ‘nóias’ [dependentes] circulando, mas é um grupo pequeno perto do que era”, afirmou Rose Correa, moradora e conselheira participativa da região.

Desde que o fluxo da Cracolândia foi dispersado da praça Princesa Isabel, em maio de 2022, centenas de usuários de drogas se espalharam pelas ruas da região central. O movimento alterou a rotina de moradores durante o dia e impôs até um toque de recolher à noite.

Com isso o antigo fluxo, que chegou a concentrar mais de dois mil dependentes químicos no mesmo quadrilátero, se fragmentou em pequenas cracolândias, principalmente nas regiões da Santa Ifigênia e Campos Elíseos.

Seguranças particulares que ficam nas adjacências orientam os pedestres a tomarem cuidado ao circular pela região. Não importa o horário, há o risco de se deparar com um desses grupos de dependentes químicos e ser assaltado.

O caos no centro proporcionou a organização de grupos criminosos que vendem proteção. Um deles era liderado pelo GCM Elisson Assis, apontado como o chefe de uma milícia que vendia segurança a comerciantes e moradores na região.

No início do mês passado, a Prefeitura de São Paulo afastou sete guardas civis metropolitanos, incluindo Assis, pela suspeita de eles extorquir dinheiro de moradores e comerciantes da região da Cracolândia em troca de segurança particular.

Os GCMs suspeitos são integrantes da Inspetoria de Operações Especiais (Iope), considerada a tropa de elite da guarda, segundo nota enviada pela corporação à reportagem, ainda em junho.

De acordo com as investigações do caso, Elisson abriu uma empresa em julho do ano passado. A partir de então, teria começado a cobrar de comerciantes e moradores do centro de São Paulo para dispersar o fluxo de usuários de drogas da Cracolândia. A Avenida Duque de Caxias seria uma das áreas alvo da milícia.

Com informações do Metrópoles.

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