Banco do Brasil e Ministério Público Federal se reúnem para tratar de inquérito sobre a participação da instituição financeira na escravidão

O Bando do Brasil se reúnem nesta sexta-feira (27) com o Ministério Público Federal (MPF) para tratar do inquérito civil aberto pro procuradores para investigar as responsabilidades da instituição financeira na escravidão e no tráfico de pessoas negras no século 19, informa Miriam Leitão em seu blog, no Globo. O banco divulgou nota, antes de…

O Bando do Brasil se reúnem nesta sexta-feira (27) com o Ministério Público Federal (MPF) para tratar do inquérito civil aberto pro procuradores para investigar as responsabilidades da instituição financeira na escravidão e no tráfico de pessoas negras no século 19, informa Miriam Leitão em seu blog, no Globo.

O banco divulgou nota, antes de se reunir com o MPF, em que diz que o período escravista precisa ser analisado de modo completo, com a devida consideração do contexto histórico, social, econômico, jurídico e cultural do período em que se desdobrou a escravidão”. Ou seja, não admite diretamente sua participação.

“Para o Banco, não é a questão de existir qualquer conexão, ainda que indireta, entre suas atividades e escravizadores do século XIX, que define seu compromisso com o combate à desigualdade étnico-racial, mas o simples fato de ser uma instituição da atualidade, que, como as demais instituições públicas e privadas, desenvolve suas atividades no âmbito de uma sociedade que guarda resquícios da escravidão”.

Na ação, os historiadores apuraram que havia uma relação de “mão dupla” da instituição financeira com a economia escravista da época, que se revelava no quadro de sócios e na diretoria do banco, formados em boa parte por pessoas ligadas ao comércio clandestino de africanos e à escravidão.

Segundo a instituição, nos 20 dias desde o protocolo do ofício do MPF até hoje, foi possível verificar nos arquivos históricos do Museu do BB, abolicionistas em seu quadro de acionistas. E cita : “Rodrigo Augusto da Silva, autor da Lei Áurea; Affonso Pena; advogado, político. Presidente do Banco do Brasil e Presidente da República; José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco; Condessa de Barral, preceptora das princesas imperiais; Lafayette Rodrigues Pereira, primeiro-ministro do Brasil durante o 2º Império; e Tereza Cristina, Imperatriz do Brasil, a título de alguns exemplos”.

Dizem que isto é importante caso uma eventual revisão histórica, pois reflete ” multiplicidade de atores e seus relacionamentos e posicionamentos acerca da escravidão, com todas as contradições e diversidade de pensamentos presentes naquele ecossistema”.

Em outros trechos, o banco salienta que sua atual presidente, Tarciana Medeiros, é uma mulher negra, e enumera as ações que têm feito pela promoção da igualdade étnico-racial, como a assinatura de um protocolo de intenções para combate e superação do racismo e promoção da diversidade e da equidade, parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares, aderindo à Carta da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, embaixador do Pacto Global da ONU no Brasil.

Defende ainda que o banco tem a meta de chegar a pelo menos 30% de pretos, pardos, indígenas e outras etnias sub-representadas em cargos de liderança até 2025. Destaque-se que ainda em março de 2023, o Banco do Brasil já alcançou a meta de 23% de pretos e pardos em cargos de gestão sênior previsto para 2025, motivo pelo qual a meta antiga foi revista para maior.

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