A Austrália oficializou nesta semana a proibição de acesso às redes sociais para menores de 16 anos, tornando-se o primeiro país do mundo a adotar uma medida tão abrangente. O governo argumenta que a restrição protege a saúde mental dos jovens e reduz riscos de exposição a conteúdo nocivo e ao bullying online.
Plataformas apagaram mais de 1 milhão de perfis
As empresas de tecnologia tiveram um ano para desenvolver mecanismos capazes de impedir que menores criem contas. Nesse período, mais de 1 milhão de perfis de crianças e adolescentes foram deletados, incluindo o de Enzo Barreto, de 13 anos, que vive com os pais em Sydney. Para a família, a mudança é vista como necessária.
“O que eu espero dos meus filhos é que pratiquem mais esporte e outras atividades fora do celular”, afirma Thais Barreto. Para Enzo, o novo cenário pode trazer mais tempo para conviver com amigos e aproveitar o mundo offline.
Governo diz que objetivo é frear vício digital
A ministra das Comunicações, Anika Wells, defende que a lei é um marco para conter o impacto dos algoritmos considerados viciantes.
“Podemos proteger a geração alfa de ser sugada para o purgatório dos algoritmos predatórios”, afirmou. Segundo ela, é provável que os adolescentes enfrentem “sintomas de abstinência”, mas o desconforto inicial compensaria no longo prazo.
Multas bilionárias às empresas, sem punição aos pais
O texto prevê multas que podem chegar ao equivalente a R$ 170 milhões para plataformas que não cumprirem a regra. Pais e responsáveis não serão penalizados pela eventual tentativa dos filhos de burlar o sistema.
Lei enfrenta resistência e disputa na Justiça
A nova política não é consenso. Dois adolescentes já acionaram a Suprema Corte alegando que a proibição viola a liberdade de comunicação. Plataformas também argumentam que o bloqueio é difícil de implementar e pode isolar jovens vulneráveis que encontravam apoio online.
A jovem Raine, de 16 anos, conta que as redes foram essenciais para enfrentar situações de discriminação na escola. “Era onde eu encontrava pessoas que me entendiam”, diz.
Influenciadores e Unicef criticam impactos para jovens criadores
Outro ponto de debate envolve adolescentes que trabalham com redes sociais, especialmente influenciadores digitais. O Unicef criticou a abordagem da proibição e defendeu que o mais adequado seria fortalecer a segurança das plataformas, não restringir o acesso.
Outros países avaliam adotar medidas semelhantes
Reino Unido, Noruega e Dinamarca estudam políticas parecidas, embora nenhuma tão rígida quanto a australiana. A discussão sobre limites para o uso de redes por menores ganha força globalmente, mas especialistas alertam que o tema exige equilíbrio entre proteção, liberdade e inclusão digital.






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