O presidente interino do Instituto Rio Metrópole (IRM), delegado Roberto Lisandro, afirmou que uma auditoria preliminar realizada pela nova gestão identificou indícios de irregularidades em cerca de 70% dos contratos analisados pela autarquia. Em entrevista exclusiva à BandNews FM, o dirigente declarou que encontrou uma estrutura “desorganizada”, com sobreposição de funções administrativas e contratos concentrados em poucas diretorias.
Segundo Lisandro, as primeiras análises apontam que duas das cinco diretorias do instituto respondiam por aproximadamente 80% dos contratos firmados: a Diretoria de Planejamento e Projetos e a Diretoria de Desenvolvimento Metropolitano Integrado. De acordo com ele, o possível prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 150 milhões, valor que ainda depende da conclusão das auditorias em andamento.
Diretorias são alvo de investigação
As duas diretorias citadas eram comandadas por Maurício Silva Knoploch dos Santos e pelo delegado Franquis Dias Nepomuceno, ambos presos durante a Operação Ouroboros, deflagrada pelo Ministério Público para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole.
Também foram presos na operação o ex-presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, e a ex-funcionária Amanda Ithala Paschoa. Já o ex-procurador Marcelo Lopes da Silva e Caroline Soares Barros, apontada pelo Ministério Público como integrante do suposto esquema, respondem ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares.
Todos os investigados negam as acusações.
Contratos são revisados e servidores deixam o instituto
Entre as primeiras providências adotadas pela nova gestão está o encerramento do contrato com a empresa Alvo Soluções, responsável pelo fornecimento de 43 funcionários terceirizados. Segundo Roberto Lisandro, a renovação contratual não havia sido publicada no Diário Oficial, o que motivou a decisão pelo encerramento do vínculo.
Desde que assumiu interinamente o comando do IRM, mais de 50 servidores foram desligados. Paralelamente, outros contratos seguem sob análise, entre eles o firmado com a empresa Inducta Solução em Energia Limitada para ações de eficiência energética. Conforme a auditoria, o contrato passou de R$ 56 milhões para mais de R$ 67 milhões após reajustes e termos aditivos.
Convênios buscam reforçar controle e transparência
O Instituto Rio Metrópole informou que trabalha na formalização de convênios com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ) e com a Controladoria-Geral do Estado (CGE-RJ). O objetivo é ampliar o suporte jurídico e fortalecer a auditoria dos contratos administrativos, aumentando os mecanismos de controle interno e transparência.
A revisão dos contratos ocorre em paralelo às investigações conduzidas pelo Ministério Público, que apuram se houve desvio de recursos públicos na gestão anterior do instituto.






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